segunda-feira, 9 de abril de 2007
quinta-feira, 5 de abril de 2007
Depois do PNR ter posto um outdoor na rotunda do Marquês em que se lia "Portugal aos portugueses. Basta de imigração, nacionalismo é solução" e "Façam uma boa viagem", acompanhada pela imagem de um avião, os Gato Fedorento responderam na mesma moeda. No outdoor colocado mesmo ao lado do do PNR lê-se: "Mais Imigração. A melhor maneira de chatear os estrangeiros é viver em Portugal. Com os portugueses não vamos lá". Genial.
quinta-feira, 29 de março de 2007
BEST Courses
Lista de cursos
Não sei se conhecem isto, eu não conhecia...recebi hoje um mail e parece ser porreiro. É pena é os prazos para o Verão 2007 terminarem já dia 1 de Abril...mas fica a informação. Como nós (portugueses) somos coitadinhos e pertencemos à categoria 3 (ao lado dos países de leste quase todos) só pagamos no máximo 2/3 da taxa máxima (45€) o que dá a módica quantia de 30€ por 1 ou 2 semanas no estrangeiro com alojamento e comida e direito ao curso. Só temos que pagar a viagem...
Este por exemplo para ser bem interessante -> 10 dias na Turquia por 30€
Requirements for participants: Will to taste Red & White, Challenge 12% !
Examination type: Written Exam and Practical Work
Estimated number of learning hours: 30
Lodging during the event: Dorms of Middle East Technical University
Food during the event: 3 Meals / Day (Free of charge) Provided by BEST Ankara
Transportation during the event: Both the public transportation and the intercity travels according to the schedule will be provided by Ankara.
O Challenge 12% parece ser particularmente interessante, e necessariamente poderia ser uma oportunidade de alguns de nós brilharmos...
Não sei se conhecem isto, eu não conhecia...recebi hoje um mail e parece ser porreiro. É pena é os prazos para o Verão 2007 terminarem já dia 1 de Abril...mas fica a informação. Como nós (portugueses) somos coitadinhos e pertencemos à categoria 3 (ao lado dos países de leste quase todos) só pagamos no máximo 2/3 da taxa máxima (45€) o que dá a módica quantia de 30€ por 1 ou 2 semanas no estrangeiro com alojamento e comida e direito ao curso. Só temos que pagar a viagem...
Este por exemplo para ser bem interessante -> 10 dias na Turquia por 30€
Requirements for participants: Will to taste Red & White, Challenge 12% !
Examination type: Written Exam and Practical Work
Estimated number of learning hours: 30
Lodging during the event: Dorms of Middle East Technical University
Food during the event: 3 Meals / Day (Free of charge) Provided by BEST Ankara
Transportation during the event: Both the public transportation and the intercity travels according to the schedule will be provided by Ankara.
O Challenge 12% parece ser particularmente interessante, e necessariamente poderia ser uma oportunidade de alguns de nós brilharmos...
In Taberna Quando Sumus
In taberna quando sumus,
non curamus, quid sit humus,
sed ad ludum properamus,
cui semper insudamus.
Quid agatur in taberna,
ubi nummus est pincerna,
hoc est opus, ut queratur,
sed quid loquar, audiatur.
Quidam ludunt, quidam bibunt,
quidam indiscrete vivunt.
Sed in ludo qui morantur,
ex his quidam denudantur ;
quidam ibi vestiuntur,
quidam saccis induuntur.
Ibi nullus timet mortem,
sed pro Baccho mittunt sortem.
Primo pro nummata vini ;
ex hac bibunt libertini.
Semel bibunt pro captivis,
post hec bibunt ter pro vivis,
quarter pro Christianis cunctis,
quinquies pro fidelibus defunctis,
sexies pro sororibus vanis,
septies pro militibus silvanis.
Octies pro fratribus perversis,
novies pro monachis dispersis,
decies pro navigantibus,
undecies pro discordantibus,
duodecies pro penitentibus,
tredecies pro iter agentibus.
Tam pro papa quam pro rege
bibunt omnes sine lege.
Bibit hera, bibit herus,
bibit miles, bibit clerus,
bibit ille, bibit illa,
bibit servus cum ancilla,
bibit velox, bibit piger,
bibit albus, bibit niger,
bibit constans, bibit vagus,
bibit rudis, bibit magnus.
Bibit pauper et egrotus,
bibit exul et ignotus,
bibit puer, bibit canus,
bibit presul et decanus,
bibit soror, bibit frater,
bibit anus, bibit mater,
bibit ista, bibit ille,
bibunt centum, bibunt mille.
Parum durant sex nummate,
ubi ipisi immoderate
bibunt omnes sine meta,
quamvis bibant mente leta.
Sic nos rodunt omnes gentes,
et sic erimus egentes.
Qui nos rodunt, confundantur
et cum iustis non scribantur.
Carmina Burana
non curamus, quid sit humus,
sed ad ludum properamus,
cui semper insudamus.
Quid agatur in taberna,
ubi nummus est pincerna,
hoc est opus, ut queratur,
sed quid loquar, audiatur.
Quidam ludunt, quidam bibunt,
quidam indiscrete vivunt.
Sed in ludo qui morantur,
ex his quidam denudantur ;
quidam ibi vestiuntur,
quidam saccis induuntur.
Ibi nullus timet mortem,
sed pro Baccho mittunt sortem.
Primo pro nummata vini ;
ex hac bibunt libertini.
Semel bibunt pro captivis,
post hec bibunt ter pro vivis,
quarter pro Christianis cunctis,
quinquies pro fidelibus defunctis,
sexies pro sororibus vanis,
septies pro militibus silvanis.
Octies pro fratribus perversis,
novies pro monachis dispersis,
decies pro navigantibus,
undecies pro discordantibus,
duodecies pro penitentibus,
tredecies pro iter agentibus.
Tam pro papa quam pro rege
bibunt omnes sine lege.
Bibit hera, bibit herus,
bibit miles, bibit clerus,
bibit ille, bibit illa,
bibit servus cum ancilla,
bibit velox, bibit piger,
bibit albus, bibit niger,
bibit constans, bibit vagus,
bibit rudis, bibit magnus.
Bibit pauper et egrotus,
bibit exul et ignotus,
bibit puer, bibit canus,
bibit presul et decanus,
bibit soror, bibit frater,
bibit anus, bibit mater,
bibit ista, bibit ille,
bibunt centum, bibunt mille.
Parum durant sex nummate,
ubi ipisi immoderate
bibunt omnes sine meta,
quamvis bibant mente leta.
Sic nos rodunt omnes gentes,
et sic erimus egentes.
Qui nos rodunt, confundantur
et cum iustis non scribantur.
Carmina Burana
sexta-feira, 23 de março de 2007
Duelo em Belém
Antes de mais, uma palavra de desprezo para o pavilhão do Belenenses. É feio, quente e escuro. E ainda por cima os adeptos sentados nas bancadas não conseguem ver na sua totalidade o recinto de jogo, o que denota uma total falta de respeito pelo público. Perante isto, como é que os seus apaniguados têm o descaramento de se auto-intitular o 4º grande? Não há maior cego do que aquele que não quer ver, sempre ouvi dizer. O Belenenses não passa de uma instituição autista e provinciana que devia ser enviada em correio azul para os distritais. Mas adiante.Habituada a jogar em grandes palcos, a ADF não conseguiu adaptar-se ao ambiente amazónico que se vive no interior daquele pardieiro. Por isso, foi miseravelmente derrotada por 6-4. Sentado na bancada, Bukowski seguia as incidências de jogo com a calma e a profundidade analítica que lhe são sobejamente conhecidas, qual manual aberto. “Penso que há uma desadaptação técnico-táctica do número 11 da ADF ao esquema de jogo arquitectado pelo professor José Luís”; “o tempo-espaço de jogo do Belenenses devia ser encurtado através de uma pressão constante sobre o transportador da bola.” Contudo, mais do que um bom desafio de futsal, Bukowski preza semper et ubique o desportivismo. No final do jogo, apesar de vergados a uma derrota que pôs em causa o acesso da sua querida ADF aos play-off, bateu palmas calorosas aos vencidos e aos vencedores. “Muito bem Belenenses. Mereceram ganhar, os meus parabéns!” Ao aproximar-se do recinto de jogo para felicitar um jogador da cruz de Cristo que estava sentado no banco, foi insultado de uma forma abjecta e absolutamente gratuita. A arenga do jogador de azul seguiu a cartilha do costume: “Filho-da-puta-vamos-lá-fora-porque-lá-fora-é-que-a-gente-conversa-anda-lá-seu-maricas-de-merda!”. Impávido, Bukowski sacudiu a sotaina negra e tentou chamar à razão o exaltado jogador. “Tem calma, meu irmão. Olha para a Cruz de Cristo que envergas no teu equipamento e lembra-te que somos todos filhos do mesmo Pai. E lembra-te também que ganhaste o jogo. Não há maior derrotado do que aquele que não sabe ganhar.” As sábias e sensatas palavras do jovem Bukowski não tiveram qualquer efeito nos furores do jogador. Selvaticamente, continuou a desafiá-lo para um combate corpo a corpo. Perante a sua intransigência, Bukowski decidiu ceder às provocações e submeter-se, em nome da Jure, a um duelo mortal.
***
Belém, 18:45 da tarde. A eterna rotação terrestre afunda o Sol nas águas frias do Atlântico. Um veleiro iluminado de laranja sulca o azul do Tejo, deixando atrás de si um rasto de espuma branca. À beira-rio, os Mosteiros dos Jerónimos e a Torre de Belém são envolvidos na bruma, ganhando contornos fantásticos. Cada pedra de calcário sussurra a grandeza passada de Portugal. Liderada pelo olhar visionário de D. Infante Henriques, a ínclita geração contempla o lugar onde a terra acaba e o mar começa. Um gato de riscas amarelas espoja-se preguiçosamente no chão morno, tomando os últimos banhos de Sol.
Belém, 18:45 da tarde. Lentamente a multidão vai preenchendo os lugares do estádio. Cachecóis azuis e brancos e bandeiras ondulantes agitam-se em mãos esperançosas de um desfecho feliz. Nas roulotes, senhoras anafadas de avental branco saciam a fome aos adeptos. Os hambúrgueres mirrados disfarçam mal o nervosismo que cresce à medida que se aproxima o pontapé de saída. O zumbido ininteligível da turba é substituído por cânticos de incentivo às respectivas equipas. Nos balneários, treinadores tensos dão as últimas prelecções aos jogadores. No final, sorte e azar terão definido quem é quem na estrada da Europa.
Belém, 18:45 da tarde. Um bando de andorinhas silenciosas rasga o céu crepuscular. Os círculos que descreve sobre o Tejo auguram um funesto acontecimento. À beira-rio, os olhos dos dois contendores cruzam-se num desprezo mútuo. Os raios oblíquos do Sol incendeiam os rostos separados por meio metro de distância. Ambos seguram uma arma mortal. O jogador da Cruz de Cristo tem na mão direita um sinistro pastel de Belém polvilhado de canela, sanguinolenta especiaria do Oriente. Bukowski exibe um tosco Panívoro, fruto da sua terra natal, Fundão. Simultaneamente, viram-se de costas e dão dez passos. O Sol é apenas um traço laranja, náufrago na imensidão atlântica. O respirar expectante do Tejo prepara-se para o embate. No estádio, a equipa local acaba de marcar. O pastel de Belém é a primeira arma a ser projectada. O rodopio estonteante transforma-o numa guilhotina alada. Bukowski é demasiado lento a reagir. Perigosamente lento. Num salto felino, todavia, consegue escapar do projéctil que tinha como destino a sua cabeça. O pastel assobia-lhe aos ouvidos, esborrachando-se violentamente contra a Torre de Belém. Porém, Bukowski não fica incólume. Parte da canela espirrou-lhe para o olho direito, cegando-o de imediato. Zarolho, dorido e pesado, levanta-se do chão com dificuldade. O atleta do Belenenses sorri, saboreando antecipadamente a vitória.
Belém, 19:07 da tarde. A noite avança, adensando a penumbra. No céu azul-escuro, Vénus já faísca. Com a dignidade ferida, Bukowski sacode os resquícios de canela da sotaina negra e reúne as últimas forças. Num jorro de fúria e audácia inauditas arremessa o Panívoro a uma velocidade incomensurável. Os efeitos fantásticos que descreve no ar reduzem a cinza qualquer hipótese de fuga do atleta do Belenenses. O Panívoro entra-lhe como um foguete pelas goelas abaixo, alojando-se no estômago. Erguendo os braços, Bukowski solta urros de triunfo. O adversário cambaleia. A massa mal cozida do Panívoro fermenta de imediato em contacto com o suco gástrico. O estômago do atleta da Cruz de Cristo transforma-se numa pedra inquebrantável, provocando-lhe dores insuportáveis. Com o corpo sacudido por violentos espasmos, estende a mão ao adversário, num gesto de súplica e desespero. Bukowski olha-o com um ar de dolorosa superioridade e dejecta-o para o Tejo. “A glória também consiste em empurrarmos o nosso adversário para o abismo”, diz enquanto contempla o brilho sonhador de Vénus.
***
Com grossos braços, Angeja arremessa Bukowski ao ar numa alegria desmedida. Paulo Pinto chora encostado ao ombro de Nuno Couto, prometendo-lhe que no próximo jogo faz um hat-trick. A ADF está salva. O brilho redentor das estrelas disseminadas pelo céu diz claramente que o sonho da manutenção continua já amanhã.
segunda-feira, 12 de março de 2007
No ano passado foi assim..
O grande prémio de atletismo Município do Fundão, realizado a 2 de Abril de 2006, contou com a presença da grandiosa instituição Nanikiana.
A comitiva dos Nanikos marcou presença na “capital” do atletismo do nosso distrito, fazendo-se representar pelos seguintes atletas:
Dorsal 302 – Gonçalo Salgueiro (Gonzales – a mais recente aquisição do plantel)
Dorsal 303 – Marco Ricardo (dispensa apresentações)
Dorsal 304 – João Mesquita (Bojo, uma estreia no atletismo)
Dorsal 305 – Nuno Ribeiro (Bio – outra estreia neste desporto, partia como sério candidato ao podíum) ...
Classificações...
O momento marcante do dia foi a ovação dos adeptos, simpatizantes e do público em geral aos atletas dos Nanikos, quando estes subiram por duas vezes ao podium para receber o trofeú de 4º lugar por equipas, e ainda o 1º lugar em equipas do concelho não federadas.
Este ano no dia 1 de Abril de 2007 irá realizar-se a prova de atletismo designada: GRANDE PRÉMIO DE ATLETISMO MUNICIPIO DO FUNDÃO - CEREJEIRAS EM FLÔR que para o escalão de seniores/absolutos terá a distância de 10 km.
Em relação às inscrições, estas são gratuitas, contudo terminam no dia 29 de Março.
No que concerne a prémios, para além das taças, medalhas individuais, mas referir a existência de prémios para equipas do concelho do Fundão (não federadas).
1º lugar - 50 € , 2º lugar- 30 €, 3º lugar - 20€.
Assim proponho criarmos 3 equipas de nanikos, cada uma composta por 3 elementos...
no final com o dinheiro proveniente do prémio, far-se-á uma jantarada com todos os elementos participantes..
Preciso de saber quem quer participar! (deixem comment com o vosso nome a confirmar a vossa presença)
Aquele abraço
A comitiva dos Nanikos marcou presença na “capital” do atletismo do nosso distrito, fazendo-se representar pelos seguintes atletas:
Dorsal 302 – Gonçalo Salgueiro (Gonzales – a mais recente aquisição do plantel)
Dorsal 303 – Marco Ricardo (dispensa apresentações)
Dorsal 304 – João Mesquita (Bojo, uma estreia no atletismo)
Dorsal 305 – Nuno Ribeiro (Bio – outra estreia neste desporto, partia como sério candidato ao podíum) ...
Classificações...
O momento marcante do dia foi a ovação dos adeptos, simpatizantes e do público em geral aos atletas dos Nanikos, quando estes subiram por duas vezes ao podium para receber o trofeú de 4º lugar por equipas, e ainda o 1º lugar em equipas do concelho não federadas.
Este ano no dia 1 de Abril de 2007 irá realizar-se a prova de atletismo designada: GRANDE PRÉMIO DE ATLETISMO MUNICIPIO DO FUNDÃO - CEREJEIRAS EM FLÔR que para o escalão de seniores/absolutos terá a distância de 10 km.
Em relação às inscrições, estas são gratuitas, contudo terminam no dia 29 de Março.
No que concerne a prémios, para além das taças, medalhas individuais, mas referir a existência de prémios para equipas do concelho do Fundão (não federadas).
1º lugar - 50 € , 2º lugar- 30 €, 3º lugar - 20€.
Assim proponho criarmos 3 equipas de nanikos, cada uma composta por 3 elementos...
no final com o dinheiro proveniente do prémio, far-se-á uma jantarada com todos os elementos participantes..
Preciso de saber quem quer participar! (deixem comment com o vosso nome a confirmar a vossa presença)
Aquele abraço
quinta-feira, 8 de março de 2007
Acto de Inverno
Que luz é esta que devassa a escuridão do meu quarto? E este céu celestial pintado de fresco? E o trinar nas árvores ondulantes? Quê?! É já a Primavera? Não, não pode ser. Ainda agora fiz um chá de camomila para celebrar a entrada no Inverno. Para trás monstro primaveril! Este ainda não é o teu Tempo! Que artifícios enleantes trazes no teu bojo? Que mil promessas vãs? Quantos e quantos desejos lançados às estrelas para acabarem desfeitos em lágrimas de sal? Para trás! Não me venhas com o teu pólen alérgico que me faz chorar os olhos! Pára! Volta a apanhar o comboio que esta ainda não é a tua Estação!Vamos Inverno! Volta a impor-te. Reclama o teu Tempo. Convoca os aliados das montanhas gélidas onde as neves são eternas! Chama as nuvens mais negras e cordas de chuva! Dá-me o frio e o recato da lareira, por favor! Quero as pantufas e as camisolas grossas de lã. Dos teus longos cabelos alvos faz cair flocos de neve. Vamos! Fere mortalmente o sol cálido, a melodia metálica dos grilos e todas as manifestações do mostrengo primaveril. Que a Natureza volte a ser árida e espectral! Que nada desponte do regaço da terra!
Sabes Inverno, a Primavera é uma puta cínica que nos arrebata para depois nos destruir implacavelmente. Nela tudo é dispersão, movimento, utopia, cor e cheiro. A razão transforma-se em loucura e o bom senso em imprudência. O sangue ferve por desejos inalcançáveis. Espero que o teu hálito gelado faça uma vez mais tremer de frio esta Primavera fora de Estação e a expulse para o fundo dos tempos…
domingo, 4 de março de 2007
sexta-feira, 2 de março de 2007
segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007
QUARESMA OU MOURINHO: ARTE OU CIÊNCIA

Poderá a criação humana vencer a frieza da máquina?
"A bola vai no ar, quase planando como um ser superior, voando em direcção à baliza de Cech depois de sair da bota mágica de Quaresma. Uma parábola que é, durante longos segundos, uma sedutora promessa de golo. Os olhares seguem-na ansiosos. Com ela ia o sonho da arte vencer a ciência. Da criação humana vencer a frieza da máquina. Sim, este é ainda um texto sobre futebol. Sobre um confronto que faz muitos momentos do jogo quase parecerem um duelo bíblico entre o bem e o mal. Mourinho regressou ao Porto no seu tradicional estilo blazé. Roupa escura e barba de três dias. A chuva, o céu nublado e o nevoeiro de Londres são a moldura perfeita para o futebol do Chelsea. Uma nuvem escura a planar sobre cada jogo que, ao mais pequeno gesto do seu mentor, faz chover. Talvez o futebol seja um desporto. Para Mourinho, é uma ciência. Acelerou o jogo quando quis. Leia-se Robben. Colocou-lhe um bloco de gelo em cima, depois. Leia-se Obi Mikel. Festeja os golos quase como um ponta-de-lança e quando sair de Stanford Bridge deixará alguém ainda mais poderoso. O seu fantasma. Como no Porto, afinal. Não existem tentações artísticas e quando Drogba recua em cada bola parada, percebemos que, em Londres, os autocarros têm todos dois andares.
(…)
O resto depende da vontade da bola. Sim, o mesmo instrumento de arte ou ciência que voava em direcção à baliza de Cech. Aproxima-se dela. Parece que vai entrar. Bang! Na barra. Mãos na cabeça, os olhares voltaram a escurecer. Quaresma encolhe os ombros. É duro viver com a realidade. Voltem a fechar os olhos e imaginem que aquela bola entrou. Como o mundo seria mais belo. E o futebol também."
(…)
O resto depende da vontade da bola. Sim, o mesmo instrumento de arte ou ciência que voava em direcção à baliza de Cech. Aproxima-se dela. Parece que vai entrar. Bang! Na barra. Mãos na cabeça, os olhares voltaram a escurecer. Quaresma encolhe os ombros. É duro viver com a realidade. Voltem a fechar os olhos e imaginem que aquela bola entrou. Como o mundo seria mais belo. E o futebol também."
Luís Freitas Lobo
quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007
Diário do Xisto
Finalmente terminado o manuscripto deixo aqui o link para que todos possam fazer o download em formato PDF.
http://www.megaupload.com/?d=UDOSXGQV
Boa leitura!
http://www.megaupload.com/?d=UDOSXGQV
Boa leitura!
Anúncio
Tal como previamente tinha dito aqui no blog no dia 1 de Fevereiro iria fazer um anúncio importante. Esse anúncio prende-se com o facto de a partir do início de 2007 ter renunciado por tempo indeterminado a todas as actividades alcoólico-recreativas.
Esta decisão não foi tomada de consciência leve e prende-se com o facto de dar tempo ao fígado para se regenerar, bem como precisar de tempo para avaliar os danos de foro psicológico causados pelos últimos anos de abusos.
Assim peço a vossa compreensão para com a minha decisão.
Sem mais, cumprimentos para todos.
Esta decisão não foi tomada de consciência leve e prende-se com o facto de dar tempo ao fígado para se regenerar, bem como precisar de tempo para avaliar os danos de foro psicológico causados pelos últimos anos de abusos.
Assim peço a vossa compreensão para com a minha decisão.
Sem mais, cumprimentos para todos.
segunda-feira, 15 de janeiro de 2007
Terras do Xisto 2006...tá quase
Para aqueles que ainda têm esperança em ver publicadas as crónicas das Terras do Xisto venho dizer que estará para breve o términus do documento e que aguardem pacientemente. A data prevista para a publicação é dia 1 de Fevereiro, altura em que farei também um anúncio importante. Até lá saudações.
sábado, 30 de dezembro de 2006
King África
quarta-feira, 27 de dezembro de 2006
Não se ouviu falar nada disto.. este é dos nossos!.
Maniche da positivo en un control de alcoholemia en Lisboa
El rojiblanco Maniche y el jugador del Oporto, Ricardo Quaresma, fueron detectados por los radares de la Brigada de Tránsito de la Guardia Nacional Republicana (GNR) la pasada madrugada cuando conducían con exceso de velocidad por Lisboa. Según informa el diario 'O Jogo', ambos futbolistas fueron sometidos al pertinente control de alcoholemia, donde se comprobó que Maniche presentaba unos valores más altos de los permitidos por la normativa vigente.
in : a www.marca.es
El rojiblanco Maniche y el jugador del Oporto, Ricardo Quaresma, fueron detectados por los radares de la Brigada de Tránsito de la Guardia Nacional Republicana (GNR) la pasada madrugada cuando conducían con exceso de velocidad por Lisboa. Según informa el diario 'O Jogo', ambos futbolistas fueron sometidos al pertinente control de alcoholemia, donde se comprobó que Maniche presentaba unos valores más altos de los permitidos por la normativa vigente.
in : a www.marca.es
quarta-feira, 20 de dezembro de 2006
AArrreeeiiiioooohhhhhhhhhhhh!
Esqueci-me de mandar uma posta!
Como fui capaz de me esquecer do Mr.Hankey (sonetinho de natal)!
Como fui capaz de me esquecer do Mr.Hankey (sonetinho de natal)!
segunda-feira, 18 de dezembro de 2006
Leão afunda-se em casa - FUNDÃO SURPREENDE EM LOURES (4-3)

O campeão nacional e, até então, líder invicto, Sporting, sofreu a sua primeira derrota (3-4) no reatamento do campeonato maior do futsal português. Os leões entraram na partida a tentar adormecer o seu adversário, mas desde logo se iria deixar-se embalar nessa cantiga.
Apesar de estar nos lugares do fundo da tabela, o Fundão, de forma bem determinada procurou não dar espaços à turma de Paulo Fernandes, e sempre que podia gizava rápidas acções ofensivas. Zézito (18’), aproveitando a primeira desatenção dos beirões, ainda conseguiu fazer o 1-0, mas, na resposta, Andrezinho empata o jogo, após benesse de Gonçalo.
No segundo tempo, o Sporting tentou de novo pôr o Fundão em respeito, procurando controlar a partida. E, de facto, parecia que estava a consegui-lo. No entanto, Bruno Pereira (25’) colocou os visitantes na frente, na sequência de um livre, com a bola a trair Cristiano após desvio na viagem.
O Sporting entendeu que tinha chegado a hora de puxar dos galões. Num ápice, Zézito e Davi dão a volta por completo ao resultado, mas a resposta do Fundão foi intensa. Sem nada a perder José Luís fez avançar a equipa, passou a jogar com Couto como guarda-redes/avançado e conseguiu, num final verdadeiramente emocionante, virar os números do marcador a seu favor.
Carlitos (37’) isento de marcação, chega ao empate, e depois é a vez de Bruno Pereira, na marcação de um livre directo, chegar aos três pontos.
Pelo empenho demonstrado ao longo do encontro, a vitória aceita-se. O Sporting, sem Deo e Bibi (lesionados) mostrou falta de criatividade. Arbitragem com erros.
in http://www.record.pt/noticia.asp?id=729918&idCanal=277
quarta-feira, 29 de novembro de 2006
quarta-feira, 22 de novembro de 2006
Remember...
segunda-feira, 20 de novembro de 2006
quinta-feira, 9 de novembro de 2006
Post nº100 - Relembrar o JN
É verdade chegámos ao post nº100 no blog. Não tenho nada para assinalar senão que espero o nº200 para breve. No entanto o que me levou a vir para aqui escrever e depois constatar que estava a escrever um bocado de história foi o facto de me lembrar de uma publicação antiga, circa 2002, chamada Jornal dos Nanikos (JN). Lembro-me que esta gloriosa publicação teve pelo menos 2 ou 3 meses de vida, mas não encontro nenhum exemplar na minha casa...alguém tem algum exemplar ou se lembra de mais detalhes do JN?
domingo, 5 de novembro de 2006
A verdadeira história de Marrusso: Capítulo 7
Obrigar-me-ia a levantar para ver a indecência, mas era a última coisa que me apetecia fazer. Não queria acreditar, a minha cabeça imaginava o que as palavras não ousam descrever. Bebi um valente trago de whisky. O whisky era mau. Whisky destilado do cú da garrafa. Comecei a ter calafrios, uma vontade impossível de sacudir todo o corpo como um burro quando sacode as orelhas. Fiquei ali, entre whisky barato e as conquistas territoriais de Marrusso e Joana. Finalmente, ela despiu-se. Parcialmente. A carne pálida de Joana transbordou da camisa e o seio esquerdo foi o primeiro a topar-me. Olhei para a teta com indulgência. Marrusso também. Depois teve um frémito de confiança. Queria ser um valente Don Juan e arrancar tudo à bruta. Mas tinha medo da reprovação de Joana. Começou a sentir nojo de si próprio. Afinal Marrusso tinha uma namorada, uma etiqueta, uma boa família e uma esmerada educação. Amor louco, sim, mas com limites. Joana não queria portagens. Nem sequer deixou as meias ou as botas de Inverno que a avozinha lhe oferecera. A Joana não lia as revistas da moda, inventara a sua própria moda. Marusso não parava de beijá-la, mil vezes, sem parar, no pescoço enquanto desapertava os botões; depois, roçava o nariz como um tolo esquimó enquanto assobiava uma música de Chet Baker. A minha presença não anulava a intimidade dos miúdos. Incrível. Marrusso parecia um daqueles marujos dinamarqueses que regressam do mar para apanhar morangos; Joana, a milady do Dartacão. Se for um filho-da-puta talvez tenha mais sorte, cogitou Marrusso. Não hesitou. Defronte do Sopas, onde há um cheiro sensacional a tubo de escape, num jipe topo de gama, Marrusso premiu o acelerador biológico bem a fundo e um éter perfumado tomou conta do ar, enrolando-se com o meu café fumegante. O Sr. Joaquim desligava as luzes. Está na hora, ó Mário. O Sr. Joaquim tinha o bigode húmido dos beijos da Dona Odília. 2 da manhã. A morte de cinderela foram os beijos fora de horas. Levantei-me para me sentar noutro sítio. Apenas a perspectiva mudou, a feira de Marrusso e Joana continuava. Os peitos tocavam-se, o que me cegava a visão dos seios de Joana, bem escondidos nos pêlos loiros e atrincheirados de Marrusso. A espada medieval estava lá, bem plantada, a espada que fora a lei de um namoro que só quisera conservar as aparências. Marrusso sabia que já não precisava de causar boa impressão. A Joana era bonita. Além do mais, era sua amante. Não havia lugar para mais ninguém. Mais ninguém cabia naquele jipe. Nem shivas, nem ratos Miccolli. Marrusso sentia-se livre de obrigações e jovem. Joana encontrara a sua alma gémea, um botão pronto a dar flor. Pela cara de satisfação de Joana, deduzi que abaixo da cintura de Marrusso havia tesouros de ternura. A noite escura caiu. Adormeci na relva do sopas, ao lado da Maria e do Cenourinha. Quando voltei a acordar, Joana desaparecera. Marrusso estava sozinho e o Sol dava a primeira luz da sua graça. Uma míuda aproximou-se. Caminhava com a cadência de um eléctrico na baixa pombalina, tinha óculos e uns lábios grossos marcados pelo sentimentalismo do hábito. Não cheirava a hortelã. Não havia candura. Não era Joana. Entrou no Jipe e beijou Marrusso. Marrusso deitou-se no banco de trás como um pastor alemão fatigado. A miúda abraçou o volante e zarpou. Os dias de felicidade de Marrusso apenas acabavam de começar…
P.S.: No capítulo seguinte, Marrusso viola uma galinha, perturbando a paz pública nas quintas de São José.
P.S.: No capítulo seguinte, Marrusso viola uma galinha, perturbando a paz pública nas quintas de São José.
sábado, 4 de novembro de 2006
Vinho tinto e dietas
Numa altura que o fast food domina a sociedade ocidental e a próxima geração já tem 10% de obesos fica aqui parte de um artigo publicado no New York Times de 2 de Novembro.
"Can you have your cake and eat it? Is there a free lunch after all, red wine included? Researchers at the Harvard Medical School and the National Institute on Aging report that a natural substance found in red wine, known as resveratrol, offsets the bad effects of a high-calorie diet in mice and significantly extends their lifespan.
Their report, published electronically yesterday in Nature, implies that very large daily doses of resveratrol could offset the unhealthy, high-calorie diet thought to underlie the rising toll of obesity in the United States and elsewhere, if people respond to the drug as mice do.
Resveratrol is found in the skin of grapes and in red wine and is conjectured to be a partial explanation for the French paradox, the puzzling fact that people in France enjoy a high-fat diet yet suffer less heart disease than Americans.
The researchers fed one group of mice a diet in which 60 percent of calories came from fat. The diet started when the mice, all males, were a year old, which is middle-aged in mouse terms. As expected, the mice soon developed signs of impending diabetes, with grossly enlarged livers, and started to die much sooner than mice fed a standard diet.
Another group of mice was fed the identical high-fat diet but with a large daily dose of resveratrol (far larger than a human could get from drinking wine). The resveratrol did not stop them from putting on weight and growing as tubby as the other fat-eating mice. But it averted the high levels of glucose and insulin in the bloodstream, which are warning signs of diabetes, and it kept the mice’s livers at normal size.
Even more striking, the substance sharply extended the mice’s lifetimes. Those fed resveratrol along with the high- fat diet died many months later than the mice on high fat alone, and at the same rate as mice on a standard healthy diet. They had all the pleasures of gluttony but paid none of the price."
"Can you have your cake and eat it? Is there a free lunch after all, red wine included? Researchers at the Harvard Medical School and the National Institute on Aging report that a natural substance found in red wine, known as resveratrol, offsets the bad effects of a high-calorie diet in mice and significantly extends their lifespan.
Their report, published electronically yesterday in Nature, implies that very large daily doses of resveratrol could offset the unhealthy, high-calorie diet thought to underlie the rising toll of obesity in the United States and elsewhere, if people respond to the drug as mice do.
Resveratrol is found in the skin of grapes and in red wine and is conjectured to be a partial explanation for the French paradox, the puzzling fact that people in France enjoy a high-fat diet yet suffer less heart disease than Americans.
The researchers fed one group of mice a diet in which 60 percent of calories came from fat. The diet started when the mice, all males, were a year old, which is middle-aged in mouse terms. As expected, the mice soon developed signs of impending diabetes, with grossly enlarged livers, and started to die much sooner than mice fed a standard diet.
Another group of mice was fed the identical high-fat diet but with a large daily dose of resveratrol (far larger than a human could get from drinking wine). The resveratrol did not stop them from putting on weight and growing as tubby as the other fat-eating mice. But it averted the high levels of glucose and insulin in the bloodstream, which are warning signs of diabetes, and it kept the mice’s livers at normal size.
Even more striking, the substance sharply extended the mice’s lifetimes. Those fed resveratrol along with the high- fat diet died many months later than the mice on high fat alone, and at the same rate as mice on a standard healthy diet. They had all the pleasures of gluttony but paid none of the price."
quinta-feira, 2 de novembro de 2006
Xico Xico sofre da doença poeta diabolicus
Xico Xico, jovem nanikiano de 22 anos, sofre de uma doença rara conhecida na comunidade científica por "poeta diabolicus". Foi o pai, Francisco Elias, médico no Hospital do Fundão, quem diagnosticou na quarta-feira a enfermidade do filho.
Há duas semanas atrás manifestaram-se os primeiros sintomas do "poeta diabolicus" no jovem. Todas as madrugadas, Xico Xico começava a recitar a partir da sua cama poemas românticos, evoluindo posteriormente para os modernistas. Contudo, este comportamento bizarro não preocupou nenhum dos familiares. “A princípio pensávamos que fosse apenas uma brincadeira”, contou o pai com uma voz pesarosa. E concluiu: “A poesia até nem era de muito má qualidade e enchia a casa de alegria”.
Foi apenas na segunda semana que a família compreendeu que se tratava de algo bem mais grave do que um simples devaneio. “Quando começou a declamar poesia mística percebi que se passava alguma coisa de estranho”, contou a irmã, Catarina Elias, cujas olheiras denunciam noites muito mal dormidas. Frases obscuras como “fogueiras de pautas de música que aquecem a noite, cortam os lábios, queimam os olhos, agoniam os ventos inquietos” ou o “padeiro faz da farinha pão e as mães não tardam da água chá”, perturbaram o sossego familiar. “O meu filho tornou-se incomunicável”, queixou-se a mãe. “A nossa cadela uivava de uma forma arrepiante sempre que o ouvia declamar aqueles versos estranhíssimos a altas horas da madrugada”, contou. Perante indícios tão perturbantes, Francisco Elias auscultou o filho, concluindo de imediato que os seus sintomas correspondiam aos do "poeta diabolicus".
A doença foi diagnosticada pela primeira vez no século XVIII em alguns monges beneditinos que viviam no convento de Poitiers (França). Os sintomas são uma vontade compulsiva de recitar poesia ou frases delirantes sem nexo aparente. Contudo, apesar de desagradável, o "poeta diabolicus" não é mortal. O nome deve-se à crendice popular, pois acreditava-se que as suas vítimas eram possuídas por um espírito maligno que as obrigava a declamar permanentemente poesia ininteligível e de má qualidade. Pela sua raridade, não tem cura. “Seria quase uma bizantinice estar a dispensar recursos materiais e humanos para investigar o "poeta diabolicus", explicou Luís Lobo, Presidente da Associação Médica da Região Centro do País à Beira Mar Plantado (AMRCPBMP).
Neste momento Xico Xico encontra-se em observação no Hospital do Fundão. Mais do que descobrir a cura, a principal missão dos médicos passa por fazer compreender ao jovem a máxima poeta nascitur, non fit (“os poetas nascem, não se fazem”).
Há duas semanas atrás manifestaram-se os primeiros sintomas do "poeta diabolicus" no jovem. Todas as madrugadas, Xico Xico começava a recitar a partir da sua cama poemas românticos, evoluindo posteriormente para os modernistas. Contudo, este comportamento bizarro não preocupou nenhum dos familiares. “A princípio pensávamos que fosse apenas uma brincadeira”, contou o pai com uma voz pesarosa. E concluiu: “A poesia até nem era de muito má qualidade e enchia a casa de alegria”.
Foi apenas na segunda semana que a família compreendeu que se tratava de algo bem mais grave do que um simples devaneio. “Quando começou a declamar poesia mística percebi que se passava alguma coisa de estranho”, contou a irmã, Catarina Elias, cujas olheiras denunciam noites muito mal dormidas. Frases obscuras como “fogueiras de pautas de música que aquecem a noite, cortam os lábios, queimam os olhos, agoniam os ventos inquietos” ou o “padeiro faz da farinha pão e as mães não tardam da água chá”, perturbaram o sossego familiar. “O meu filho tornou-se incomunicável”, queixou-se a mãe. “A nossa cadela uivava de uma forma arrepiante sempre que o ouvia declamar aqueles versos estranhíssimos a altas horas da madrugada”, contou. Perante indícios tão perturbantes, Francisco Elias auscultou o filho, concluindo de imediato que os seus sintomas correspondiam aos do "poeta diabolicus".
A doença foi diagnosticada pela primeira vez no século XVIII em alguns monges beneditinos que viviam no convento de Poitiers (França). Os sintomas são uma vontade compulsiva de recitar poesia ou frases delirantes sem nexo aparente. Contudo, apesar de desagradável, o "poeta diabolicus" não é mortal. O nome deve-se à crendice popular, pois acreditava-se que as suas vítimas eram possuídas por um espírito maligno que as obrigava a declamar permanentemente poesia ininteligível e de má qualidade. Pela sua raridade, não tem cura. “Seria quase uma bizantinice estar a dispensar recursos materiais e humanos para investigar o "poeta diabolicus", explicou Luís Lobo, Presidente da Associação Médica da Região Centro do País à Beira Mar Plantado (AMRCPBMP).
Neste momento Xico Xico encontra-se em observação no Hospital do Fundão. Mais do que descobrir a cura, a principal missão dos médicos passa por fazer compreender ao jovem a máxima poeta nascitur, non fit (“os poetas nascem, não se fazem”).
domingo, 15 de outubro de 2006
Novo WC
Viste que o blog dos nanikos já feda com os meus dejetos tipográficos, criei uma casa de banho online para todos os cagões.
A casa do banho xico está ao dispôr de qualquer cú que se queira desfazer em merda
http://aCasaDeBanhoDoXico.blogspot.com
A casa do banho xico está ao dispôr de qualquer cú que se queira desfazer em merda
http://aCasaDeBanhoDoXico.blogspot.com
Corrida do Tejo
9h de domingo (15/10), hora ideal para mais um treino..
Enquanto decorria a preparação psicológica para mais uma "etapa", decido vir cuscar as fresquinhas e gordas dos jornais.. vitória do slb blá blá blá.. mi mi colli etc..
Por acaso chego a abrir a página oficial da corridadotejo.com para ver se havia novidades,quando me deparo com a seguinte mensaguem " inscrições esgotadas"..
Logo este ano que pensava estrear-me, contando com a presença de dois elementos fulcrais no seio nanikiano,são eles Sá e Xico, quer dizer, eram!
Spetacular.. fico fudido..
Plano Lisboa abortado?
maybe..
Enquanto decorria a preparação psicológica para mais uma "etapa", decido vir cuscar as fresquinhas e gordas dos jornais.. vitória do slb blá blá blá.. mi mi colli etc..
Por acaso chego a abrir a página oficial da corridadotejo.com para ver se havia novidades,quando me deparo com a seguinte mensaguem " inscrições esgotadas"..
Logo este ano que pensava estrear-me, contando com a presença de dois elementos fulcrais no seio nanikiano,são eles Sá e Xico, quer dizer, eram!
Spetacular.. fico fudido..
Plano Lisboa abortado?
maybe..
quinta-feira, 12 de outubro de 2006
A vaca que ri
A vaca que ri mora na minha rua,
Passa a noite a mugir como não houvesse amanhã.
A sua língua lisa e o seu corpo endeusado
Encalha qualquer homem na porta 18.
É o manjar dos deuses dizem eles.
É a vaca mais feliz que alguma vez vi,
No seu rosto um rasgo de satisfação.
A rua virou um curral e os animais estão doidos.
Peregrinação de bovinos e caprinos fazem do curral o éden,
Adão e Eva deliciam-se.
A vaca que dantes tinha sido cobra frigida,
Anseia por se tornar agora numa porca.
Estamos no tempo das vacas magras,
Ser leitão ainda rende, é comer até ao tutano, nem a pele escapa- diz a vaca .
A vaca desaparece e a porca ganha asas,
Guinchos para aqui guinchos para acolá.
O som agora é desconfortante.
Ninguém dorme e os miúdos não têm descanso,
Mão para aqui mão para acolá.
Ninguém sabe o seu nome e não interessa,
Apenas tem de ser uma porca que ri.
Passa a noite a mugir como não houvesse amanhã.
A sua língua lisa e o seu corpo endeusado
Encalha qualquer homem na porta 18.
É o manjar dos deuses dizem eles.
É a vaca mais feliz que alguma vez vi,
No seu rosto um rasgo de satisfação.
A rua virou um curral e os animais estão doidos.
Peregrinação de bovinos e caprinos fazem do curral o éden,
Adão e Eva deliciam-se.
A vaca que dantes tinha sido cobra frigida,
Anseia por se tornar agora numa porca.
Estamos no tempo das vacas magras,
Ser leitão ainda rende, é comer até ao tutano, nem a pele escapa- diz a vaca .
A vaca desaparece e a porca ganha asas,
Guinchos para aqui guinchos para acolá.
O som agora é desconfortante.
Ninguém dorme e os miúdos não têm descanso,
Mão para aqui mão para acolá.
Ninguém sabe o seu nome e não interessa,
Apenas tem de ser uma porca que ri.
Oxala
Oxalá
Oxalá que todas as vacas sejam assim,
brancas e malhadas.
Oxalá que todas as vacas sejam indianas,
sagradas e com pinta.
Oxalá que todas as vacas sejam boas vacas,
como esta e aquela.
Oxalá que todas as vacas não nos façam de touros,
cornudos e encornados.
Oxalá que de vacas, vacas não sejam.
Oxalá.
Oxalá que todas as vacas sejam assim,
brancas e malhadas.
Oxalá que todas as vacas sejam indianas,
sagradas e com pinta.
Oxalá que todas as vacas sejam boas vacas,
como esta e aquela.
Oxalá que todas as vacas não nos façam de touros,
cornudos e encornados.
Oxalá que de vacas, vacas não sejam.
Oxalá.
segunda-feira, 9 de outubro de 2006
Joe
Puro Lusitano galopando no éden,
Colhes as frutas dos deuses e fermentas o mundo dentro de ti.
A tua força é maior de qualquer homem,
És o animal, transpiras a sabedoria e transbordas o amor.
Coração de dragão, cheio de octanas,
Matas a serpente e conquista os poderosos.
Fazes da uva o melhor vinho: encorpado e aveludado,
E conquistas as mulheres mais perfeitas.
Tornaste-te no Ás das cartas, no rei dos castelos,
No homem na lua, no deus na terra.
Divide a tua alegria, sem medo,
e abraça-nos com a tua saudade.
Ámen.
Colhes as frutas dos deuses e fermentas o mundo dentro de ti.
A tua força é maior de qualquer homem,
És o animal, transpiras a sabedoria e transbordas o amor.
Coração de dragão, cheio de octanas,
Matas a serpente e conquista os poderosos.
Fazes da uva o melhor vinho: encorpado e aveludado,
E conquistas as mulheres mais perfeitas.
Tornaste-te no Ás das cartas, no rei dos castelos,
No homem na lua, no deus na terra.
Divide a tua alegria, sem medo,
e abraça-nos com a tua saudade.
Ámen.
sábado, 7 de outubro de 2006
Sorte.
Já Pessoa dizia: “ sorte se sorte te é dada”.
Cambaleando pelo trilho,
o suspiro da crença abafa o “rodeo”.
A sorte pode ser do tamanho da nossa rua,
bem como do tamanho da nossa cidade.
Tudo fica ou nada sobre,
Tudo quer ou tudo salta.
A sorte tem tamanho,
se a vida sorte tem.
Mas como o verso,
tudo acaba.
Cambaleando pelo trilho,
o suspiro da crença abafa o “rodeo”.
A sorte pode ser do tamanho da nossa rua,
bem como do tamanho da nossa cidade.
Tudo fica ou nada sobre,
Tudo quer ou tudo salta.
A sorte tem tamanho,
se a vida sorte tem.
Mas como o verso,
tudo acaba.
sexta-feira, 6 de outubro de 2006
Sempre genial....
Existe sempre o genial.
Genial é sempre uma palavra difícil de aplicar e quem sabe de classificar. Não!
Eu sou genial!
Genial não é ser artisticamente transcendente ou literariamente fora do comum, é muito mais.
Eu sou genial na medida em que genialmente amo qualquer coisa.
Eu consigo amar da mesma forma a minha mãe e uma pedra da calçada que trago para casa e guardo bem guardado.
Estranha comparação:, dizem!
Eu sei amar genialmente o que pode ser amado, eu consigo amar o ar mesmo sem alguma vez o ter visto.
O genial é a postura, é a estrutura mental.
Procuro estudar o que me rodeia para subtilmente conseguir ser genialmente eficaz.
Uma escorregadela aparece…meros actos cientes mas não lógicos descaíram-me para imbecilidade , estou afastado do genial?
Não! Fui genialmente imbecil.
Sempre genial!
Genial é sempre uma palavra difícil de aplicar e quem sabe de classificar. Não!
Eu sou genial!
Genial não é ser artisticamente transcendente ou literariamente fora do comum, é muito mais.
Eu sou genial na medida em que genialmente amo qualquer coisa.
Eu consigo amar da mesma forma a minha mãe e uma pedra da calçada que trago para casa e guardo bem guardado.
Estranha comparação:, dizem!
Eu sei amar genialmente o que pode ser amado, eu consigo amar o ar mesmo sem alguma vez o ter visto.
O genial é a postura, é a estrutura mental.
Procuro estudar o que me rodeia para subtilmente conseguir ser genialmente eficaz.
Uma escorregadela aparece…meros actos cientes mas não lógicos descaíram-me para imbecilidade , estou afastado do genial?
Não! Fui genialmente imbecil.
Sempre genial!
quinta-feira, 5 de outubro de 2006
Há coisas que nunca mudam
A rapariga que passa do outro lado da rua
É igual à outra que vi na estação.
O jeitinho de andar suspenso no ar
Entrega-lhes uma beleza perturbante.
Os seus seios içados por um anzol
Deliciam as calças dos transeuntes.
Banhadas em baba escorregam para chapa,
Os homens já arregaçam as mangas.
A rua virou um churrasco,
A Porca já está na brasa.
O fumo que sai é negro como a tinta de carvão,
Negra como a alma cheia de podridão.
Todas têm o mesmo cheiro:
Deliciosamente mau e nauseabundo
Mas o sabor é sempre o mesmo…
É igual à outra que vi na estação.
O jeitinho de andar suspenso no ar
Entrega-lhes uma beleza perturbante.
Os seus seios içados por um anzol
Deliciam as calças dos transeuntes.
Banhadas em baba escorregam para chapa,
Os homens já arregaçam as mangas.
A rua virou um churrasco,
A Porca já está na brasa.
O fumo que sai é negro como a tinta de carvão,
Negra como a alma cheia de podridão.
Todas têm o mesmo cheiro:
Deliciosamente mau e nauseabundo
Mas o sabor é sempre o mesmo…
sexta-feira, 29 de setembro de 2006
Relatório da UE sobre o alcóol

"A UE é a região com maior consumo de álcool do mundo, embora os 11 litros de álcool puro bebidos por cada adulto em cada ano são ainda assim um decréscimo significativo do recente pico de 15 litros em meados dos anos 70. Os últimos 40 anos também viram uma harmonização nos níveis de consumo na UE15, com aumentos na Europa Central e do Norte entre a década de 60 e 80, e acompanhados por uma consistente descida na Europa do Sul." in O ÁLCOOL NA EUROPA Peter Anderson e Ben Baumberg INSTITUTE OF ALCOHOL STUDIES,INGLATERRA
Vamos todos batalhar para regressarmos aos bons velhos tempos. Além disso vejam a vergonha que é ocupar uma posição de 2ª metade da tabela. Temos que aprender mais com os húngaros, lituanos e checos.
Para mais informações vejam o relatório completo
Terras do Xisto 2006 - Dia 2
23 de Agosto de 2006 – Dia 2
E eis que ao raiar do sol uma bela pintura se levanta por trás de mim, pois ao deitar-me no leito duro do coreto em Fajão não me apercebi da magnífica paisagem que o rodeava. Nada melhor para começar o dia portanto. Hoje é o meu dia de conduzir, pois até agora só conduzi durante a noite. Mas primeiro uma banhoca na piscina de Fajão, de borla como a gente gosta.
Seguimos caminho pela serra do Açor em direcção a Piódão, aldeia que não fazendo parte da rede do xisto, faz parte das aldeias históricas de Portugal. Um caminho deveras penoso que se estende por cerca de trinta quilómetros até chegarmos a um vale onde repousa a aldeia de Piódão. Ao chegarmos à aldeia notamos uma azáfama anormal para este tipo de localidades, ah, mas isto é uma aldeia histórica, com uma projecção a nível nacional e tornada local de turismo local por excelência, não fosse exemplo claro disso a pousada do INATEL à entrada da aldeia. Se por um lado é uma aldeia bonita como qualquer outra das mais belas que visitámos nas terras do xisto, por outro é uma aldeia com uma finalidade, fazer dinheiro. Não é uma aldeia portanto, portanto para observar costumes e tradições perdidas, vidas descomplicadas e ao ritmo da rotação do planeta. É sim um sítio para observar o turismo rural, mal chegámos um homem dirigiu-se a nós com copos de shot e serviu-nos licor de casca de pêssego (caseiro segundo o vendedor) e licor de mel, nada mal para quem estava em jejum. Acabámos por cair na tentação e comprámos uma garrafa de licor de casca de pêssego por oito euros. Depois de visitarmos as ruas da aldeia e de modo a mantermo-nos no percurso seguimos viagem em direcção a Benfeita onde planeámos almoçar.
Benfeita não é propriamente uma aldeia com muito xisto, no entanto apresentou-nos outros atractivos bem diferentes. Assentámos arraial em frente da Junta de Freguesia para almoçar a típica marmita de pão, queijo, chouriço e presunto. Colocámos o licor a refrescar num ribeiro logo ao lado, ribeiro esse que serviu para baptizar o Manolo, o Rui e o Marquito. Finda a refeição falámos com um habitante que por ali passava de modo a sabermos os locais de interesse do povoado. Ficámos então a saber que perto dali existiam umas cascatas que frequentemente eram visitadas pelos turistas que por ali passavam. E assim nos dirigimos ao paradisíaco local que fervilhava com população humana. Umas bonitas setas (umas vermelhas e outras azuis, não percebi a diferença) indicavam o caminho que subia pela montanha, ora por meio de escadas escarpadas na pedra, ora por pontes de madeira, ora por simples trilhos de terra batida, e a cada paragem para ganhar fôlego um novo socalco em forma de lago com uma cascata. Após alguns minutos a subir e passando as cascatas, sem ver ninguém, com o calor a apertar e a sombra a escassear achei melhor voltar para trás e regressar ao carro. Afinal ainda só vamos na sexta aldeia do roteiro...
E assim foi o último contacto com aquilo a que se pode chamar uma réstia de civilização neste dia, pois o nosso trilho iria-nos levar onde muito pouca gente foi. Ao entrarmos verdadeiramente na serra da Lousã e ao viajarmos pelos vértices do quadrado mágico disposto ao longo das encostas da serra finalmente o Portugal profundo tão prometido agora encontrado! Comareira, aldeia com apenas quatro habitantes, pois o quinto tinha falecido recentemente de doença na cabeça, segundo a Dª Maria do Céu, a nossa guia se é que se pode chamar guia a uma pessoa que nos fala de uma aldeia com 3 ou 4 casas e habitantes a condizer. Esta aldeia localizada ao cimo da primeira de muitas subidas em 1ª no Suzuki mostrava uma bela vista sobre os territórios circundantes, de facto a melhor visão que aqui se podia apreciar. No que diz respeito ao xisto, pouco abundante mas marcante nas (poucas) casas. E siga a banda!
Passemos ao segundo vértice, Aigra Velha, escondida nas entranhas da serra tal como o Postiga se esconde entre os centrais. Desolação total é talvez a expressão mais indicada para descrever esta aldeia. Ao contrário de Comareira o xisto aqui é rei e senhor. Se não me falha a memória apenas uma casa não era feita de xisto. No entanto não havia ninguém a habitá-las. Nem uma alma se via pelas ruas. A única vida provinha de um rebanho de cabras que passeava ao longo do caminho que aqui nos trouxe. Uma rápida vistoria e algumas fotos depois seguimos de novo pelo mesmo caminho a descer a serra, aplicando um pouco mais de velocidade no motor para testar a máquina. Um desvio à esquerda em direcção a uma pequena povoação que confirmamos tratar-se de Aigra Nova. Sem sairmos do carro atravessamos a aldeia e também não avistamos ninguém. Sítios desolados. No entanto a maioria das casas de xisto estão em obras, provavelmente para turismo rural no futuro. Já à saída da aldeia uma senhora num alpendre descasca batatas para um alguidar, tendo por única companhia um pequeno gato. Paramos e conversamos um pouco com ela que nos diz ser uma das duas habitantes de Aigra Nova. Também descobrimos, enquanto perguntamos por direcções, que vive uma família de cinco em Aigra Velha (provavelmente na única casa que não era de xisto, pois as gentes destas zonas não gostam muito do mineral e preferem ver as casas forradas a branco). E com direcções para o último vértice do quadrado mágico seguimos novamente serra acima até ao cruzamento de Aigra Velha e descemos ainda mais profundamente para Pena, uma aldeia bem lá no fundo, junto a um ribeiro que serviu obviamente para baptismo. Alguma conversa com um dos locais e descanso depois, damos uma volta pela aldeia. Fiquei com a sensação de que era uma aldeia bem mais habitada que as anteriores, digamos com cerca de vinte habitantes, e ao mesmo tempo uma aldeia com a b(u)onita estampa do português emigrante que regressa à terra que o viu nascer para contruir o último bastião que servirá de repouso final.
E com isto voltamos de novo (ai a minha 1ª) serra acima até ao cruzamento de Aigra Velha (se a serra fosse Lisboa, este cruzamento era o Marquês de Pombal) e seguimos caminho atravessando a serra para a encosta Sul/Sudoeste, não sem antes ver a provável matriarca da família de cinco que habitava tão desolada povoação. E que longa viagem foi esta através da serra, que impressionou pela sua verdura tão abundante nestas paragens e que tanta falta nós faz a nós beirões (teoricamente serra da Lousã também é Beira mas pronto...). Pinhais onde em pleno dia não entrava um raio de sol de tão cerradas as copas eram. Talvez meia hora ou mais depois lá chegamos a uma estrada de alcatrão que nos leva em direcção à Lousã mas pelo caminho passamos pela aldeia de Candal, que estrategicamente colocada na estrada nacional é paragem obrigatória neste roteiro. Uma aldeia que faz lembrar duas torres gémeas pois a sua dispersão faz-se em U, como se tivesse duas zonas díspares com uma fonte no meio para uso de ambas as partes. Muito xisto foi usado nesta aldeia, inclusive para pavimentar um riacho que passava no meio da povoação. Como se aproximava a hora de jantar começámos a discutir os planos para a refeição e o sítio para dormir (um conselho para todos os vagabundos que vão dormir na rua em viagem: escolham a vossa cama enquanto o Sol não se põe, pois no escuro tudo se complica...). Como o plano inicial era dormir perto da Lousã e Candal estava a cerca de 10km da vila sede de concelho (embora pela estrada serpenteante mais parecessem 50km), procurámos um local para dormir em Candal e encontrámos um miradouro bem apetecível, mas que provavelmente sendo particular e Candal sendo uma aldeia com cerca de 40 ou 50 habitantes, segundo informações locais, desistimos de ocupar por receio de causar problemas a quem quer que os quisesse criar. E sendo assim continuámos viagem à luz dos últimos raios de Sol do dia em direcção à civilização. Mas, encontrando uma placa que dizia Cerdeira 500m, e estando Cerdeira no nosso roteiro decidimos arriscar e subir a íngreme estrada até um beco sem saída (mais uma vez a serpenteante estrada de calhaus e terra batida fez com que parecessem 5km mais do que 500m) onde militava uma igreja, casa do Senhor, refúgio da pessoa católica. Pelos vistos, não são permitidos carros para Cerdeira, bom vamos a pé. Para além do Suzuki apenas um Mercedes estava estacionado no largo. Seguimos alguns metros por um pequeno trilho pavimentado a xisto e uma ponte de madeira sobre um riacho até entrarmos na aldeia. Todo o piso estava pavimentado a xisto e todas as casas ostentavam aquilo a que vínhamos (exceptuando uma casa, já caída de podre que estava caiada de branco). Uma visão curiosa até agora inédita chamou-me a atenção, sendo ela uma loja de ervas. Uma loja de ervas colocada neste fim do mundo. Enfim há malucos para tudo. Pouco depois encontrámos um senhor que regava o seu quintal, de férias com as suas duas filhas e que nos confessou existir ali uma propriedade destinada para agricultura biológica, provavelmente o mesmo dono da loja de ervas. Através dele ficámos a saber que viviam oito pessoas na aldeia permanentemente, mas que em tempo de férias a população aumentava. Tenho que fazer aqui uma pausa para dissertar um pouco sobre alguns pontos que acho interessantes mencionar nesta altura. Ao longo de toda a viagem não raras foram as vezes que ao entrarmos em aldeias que contavam com menos de uma ou duas dezenas de habitantes, e com tão poucas casas para serem habitadas nunca víamos mais do que, digamos 10% da população (salvo a rara excepção de Comareira onde eu e o Rui conhecemos 75% da população por não termos medo de cães ). Outro ponto importante frisar foi o de que apesar de Cerdeira até ter mais habitantes que outras aldeias previamente visitadas nunca me senti tão isolado como aqui. O simples facto de existir um pequeno trilho até chegar à aldeia deixou-me contente por verificar que ainda há locais habitados onde o progresso não chegou e principalmente não destruiu a ordem natural das coisas. De facto estávamos tão isolados que quando chegou a hora de jantar (tínhamos decidido jantar e dormir no largo da igreja onde estava colocado estrategicamente um “barbecue” construído pela população da aldeia para os dias de festa), assámos chouriça e só quando a luz do sol falhou nós apercebemos que a aldeia não tinha electricidade e estávamos no escuro. Tive que ligar as luzes do carro e com a ajuda da minha lanterna e da do Manolo lá nos desenrascámos e o manjar até foi bem bom, chouriça e presunto assados com pão e tinto traçado a 7up e licor de casca de pêssego a acompanhar. Um repasto digno de um vagabundo abastado que não olha a meios para abraçar a total experiência do seu propósito (não sei se haverá alguma hierarquia no mundo da vagabundice mas eu começo a subir no ranking). Até aqui tudo bem, mas como mencionei antes a falta de luz parecia incomodar algumas pessoas que (sem mencionar nomes, tirando o Bio que tenho que dizer pois confessou-nos a teoria mais espetacular que ouvi nos últimos tempos, a de que os ursos vão dominar o mundo num futuro próximo, qualquer coisa sobre conseguirem sobrepôr-se aos humanos) ao ouvirem o mínimo barulho saltavam no ar bradando a plenos pulmões alarmes sobre ursos e linces e violadores que se arrastavam pela floresta. Com o tempo e o final da refeição vieram as perguntas, “e se aparece um urso?”, “e se aparece uma alcateia de lobos?”, “e se aparecem uns gajos bebâdos e nos matam?”. Toda esta mariquice/paranóia alastrou-se como uma praga num filme do George Romero e a gota de água aconteceu quando um gato estava a 3 metros de nós a lamber o papel onde a chouriça assada tinha repousado sem ninguém saber. Não estava lua cheia mas de facto não se via para além de 2 metros a nossa frente, e mesmo esses era com dificuldade. No entanto por maioria lá se decretou que fôssemos dormir a Lousã. Em minha defesa devo referir que sempre fui contra esta ideia pois uma das regras do vagabundo que aprendi e já referia acima é escolher sempre o local para pernoitar quando ainda há luz para tal. Assim lá conduzi o carro até à Lousã onde beberricámos umas minis numa esplanada até sermos expulsos por volta da meia noite. A Lousã não tem noite nenhuma ou então passámos muito longe dela. É que nem a discoteca “Padaria” parecia animada. Depois começou o martírio, encontrar um local para dormir. Obviamente nenhum dos presentes conhecia os arredores e portanto toca de seguir para onde parece que há sítios fixes para dormir. Fixe ou não chegámos a um sítio que até parecia bem escondido mas tinha uma placa que dizia “Campo de treino de caça”. Era capaz de ser um bocado inconveniente acordarmos com o rabo cheio de zagalote e com cães a arrastarem-nos pelas pernas. Finalmente regressamos pela estrada para a serra mas em vez de seguirmos para o primeiro local acordado em Cerdeira cortamos antes e andamos uns quanto quilómetros até desistirmos de andar (supostamente o caminho levar-nos-ia a um parque de merendas, mas foda-se, fazer 50km para comer uma merenda sentado num banco de madeira mais vale faze-lo numa pedra). Assim deitados numa placa de cimento e com alguns montes de areia em redor lá nos deitámos. Dois dedos de conversa depois começam os primeiros a cair, e tal como tinha previsto as minhas insónias aliadas ao roncar incessável dos meus companheiros não me deixou dormir. À minha direita o Manolo ressonava abundantemente, seguido pelo Rui e à minha esquerda o Marquito acompanhava-os numa orquestra infernal. Só o Bio me deixava em paz. Pois bem agarrei no saco-cama e afastei-me alguns metros, o suficiente para deixar de os ouvir e conseguir dormir em relativa paz.
E eis que ao raiar do sol uma bela pintura se levanta por trás de mim, pois ao deitar-me no leito duro do coreto em Fajão não me apercebi da magnífica paisagem que o rodeava. Nada melhor para começar o dia portanto. Hoje é o meu dia de conduzir, pois até agora só conduzi durante a noite. Mas primeiro uma banhoca na piscina de Fajão, de borla como a gente gosta.
Seguimos caminho pela serra do Açor em direcção a Piódão, aldeia que não fazendo parte da rede do xisto, faz parte das aldeias históricas de Portugal. Um caminho deveras penoso que se estende por cerca de trinta quilómetros até chegarmos a um vale onde repousa a aldeia de Piódão. Ao chegarmos à aldeia notamos uma azáfama anormal para este tipo de localidades, ah, mas isto é uma aldeia histórica, com uma projecção a nível nacional e tornada local de turismo local por excelência, não fosse exemplo claro disso a pousada do INATEL à entrada da aldeia. Se por um lado é uma aldeia bonita como qualquer outra das mais belas que visitámos nas terras do xisto, por outro é uma aldeia com uma finalidade, fazer dinheiro. Não é uma aldeia portanto, portanto para observar costumes e tradições perdidas, vidas descomplicadas e ao ritmo da rotação do planeta. É sim um sítio para observar o turismo rural, mal chegámos um homem dirigiu-se a nós com copos de shot e serviu-nos licor de casca de pêssego (caseiro segundo o vendedor) e licor de mel, nada mal para quem estava em jejum. Acabámos por cair na tentação e comprámos uma garrafa de licor de casca de pêssego por oito euros. Depois de visitarmos as ruas da aldeia e de modo a mantermo-nos no percurso seguimos viagem em direcção a Benfeita onde planeámos almoçar.
Benfeita não é propriamente uma aldeia com muito xisto, no entanto apresentou-nos outros atractivos bem diferentes. Assentámos arraial em frente da Junta de Freguesia para almoçar a típica marmita de pão, queijo, chouriço e presunto. Colocámos o licor a refrescar num ribeiro logo ao lado, ribeiro esse que serviu para baptizar o Manolo, o Rui e o Marquito. Finda a refeição falámos com um habitante que por ali passava de modo a sabermos os locais de interesse do povoado. Ficámos então a saber que perto dali existiam umas cascatas que frequentemente eram visitadas pelos turistas que por ali passavam. E assim nos dirigimos ao paradisíaco local que fervilhava com população humana. Umas bonitas setas (umas vermelhas e outras azuis, não percebi a diferença) indicavam o caminho que subia pela montanha, ora por meio de escadas escarpadas na pedra, ora por pontes de madeira, ora por simples trilhos de terra batida, e a cada paragem para ganhar fôlego um novo socalco em forma de lago com uma cascata. Após alguns minutos a subir e passando as cascatas, sem ver ninguém, com o calor a apertar e a sombra a escassear achei melhor voltar para trás e regressar ao carro. Afinal ainda só vamos na sexta aldeia do roteiro...
E assim foi o último contacto com aquilo a que se pode chamar uma réstia de civilização neste dia, pois o nosso trilho iria-nos levar onde muito pouca gente foi. Ao entrarmos verdadeiramente na serra da Lousã e ao viajarmos pelos vértices do quadrado mágico disposto ao longo das encostas da serra finalmente o Portugal profundo tão prometido agora encontrado! Comareira, aldeia com apenas quatro habitantes, pois o quinto tinha falecido recentemente de doença na cabeça, segundo a Dª Maria do Céu, a nossa guia se é que se pode chamar guia a uma pessoa que nos fala de uma aldeia com 3 ou 4 casas e habitantes a condizer. Esta aldeia localizada ao cimo da primeira de muitas subidas em 1ª no Suzuki mostrava uma bela vista sobre os territórios circundantes, de facto a melhor visão que aqui se podia apreciar. No que diz respeito ao xisto, pouco abundante mas marcante nas (poucas) casas. E siga a banda!
Passemos ao segundo vértice, Aigra Velha, escondida nas entranhas da serra tal como o Postiga se esconde entre os centrais. Desolação total é talvez a expressão mais indicada para descrever esta aldeia. Ao contrário de Comareira o xisto aqui é rei e senhor. Se não me falha a memória apenas uma casa não era feita de xisto. No entanto não havia ninguém a habitá-las. Nem uma alma se via pelas ruas. A única vida provinha de um rebanho de cabras que passeava ao longo do caminho que aqui nos trouxe. Uma rápida vistoria e algumas fotos depois seguimos de novo pelo mesmo caminho a descer a serra, aplicando um pouco mais de velocidade no motor para testar a máquina. Um desvio à esquerda em direcção a uma pequena povoação que confirmamos tratar-se de Aigra Nova. Sem sairmos do carro atravessamos a aldeia e também não avistamos ninguém. Sítios desolados. No entanto a maioria das casas de xisto estão em obras, provavelmente para turismo rural no futuro. Já à saída da aldeia uma senhora num alpendre descasca batatas para um alguidar, tendo por única companhia um pequeno gato. Paramos e conversamos um pouco com ela que nos diz ser uma das duas habitantes de Aigra Nova. Também descobrimos, enquanto perguntamos por direcções, que vive uma família de cinco em Aigra Velha (provavelmente na única casa que não era de xisto, pois as gentes destas zonas não gostam muito do mineral e preferem ver as casas forradas a branco). E com direcções para o último vértice do quadrado mágico seguimos novamente serra acima até ao cruzamento de Aigra Velha e descemos ainda mais profundamente para Pena, uma aldeia bem lá no fundo, junto a um ribeiro que serviu obviamente para baptismo. Alguma conversa com um dos locais e descanso depois, damos uma volta pela aldeia. Fiquei com a sensação de que era uma aldeia bem mais habitada que as anteriores, digamos com cerca de vinte habitantes, e ao mesmo tempo uma aldeia com a b(u)onita estampa do português emigrante que regressa à terra que o viu nascer para contruir o último bastião que servirá de repouso final.
E com isto voltamos de novo (ai a minha 1ª) serra acima até ao cruzamento de Aigra Velha (se a serra fosse Lisboa, este cruzamento era o Marquês de Pombal) e seguimos caminho atravessando a serra para a encosta Sul/Sudoeste, não sem antes ver a provável matriarca da família de cinco que habitava tão desolada povoação. E que longa viagem foi esta através da serra, que impressionou pela sua verdura tão abundante nestas paragens e que tanta falta nós faz a nós beirões (teoricamente serra da Lousã também é Beira mas pronto...). Pinhais onde em pleno dia não entrava um raio de sol de tão cerradas as copas eram. Talvez meia hora ou mais depois lá chegamos a uma estrada de alcatrão que nos leva em direcção à Lousã mas pelo caminho passamos pela aldeia de Candal, que estrategicamente colocada na estrada nacional é paragem obrigatória neste roteiro. Uma aldeia que faz lembrar duas torres gémeas pois a sua dispersão faz-se em U, como se tivesse duas zonas díspares com uma fonte no meio para uso de ambas as partes. Muito xisto foi usado nesta aldeia, inclusive para pavimentar um riacho que passava no meio da povoação. Como se aproximava a hora de jantar começámos a discutir os planos para a refeição e o sítio para dormir (um conselho para todos os vagabundos que vão dormir na rua em viagem: escolham a vossa cama enquanto o Sol não se põe, pois no escuro tudo se complica...). Como o plano inicial era dormir perto da Lousã e Candal estava a cerca de 10km da vila sede de concelho (embora pela estrada serpenteante mais parecessem 50km), procurámos um local para dormir em Candal e encontrámos um miradouro bem apetecível, mas que provavelmente sendo particular e Candal sendo uma aldeia com cerca de 40 ou 50 habitantes, segundo informações locais, desistimos de ocupar por receio de causar problemas a quem quer que os quisesse criar. E sendo assim continuámos viagem à luz dos últimos raios de Sol do dia em direcção à civilização. Mas, encontrando uma placa que dizia Cerdeira 500m, e estando Cerdeira no nosso roteiro decidimos arriscar e subir a íngreme estrada até um beco sem saída (mais uma vez a serpenteante estrada de calhaus e terra batida fez com que parecessem 5km mais do que 500m) onde militava uma igreja, casa do Senhor, refúgio da pessoa católica. Pelos vistos, não são permitidos carros para Cerdeira, bom vamos a pé. Para além do Suzuki apenas um Mercedes estava estacionado no largo. Seguimos alguns metros por um pequeno trilho pavimentado a xisto e uma ponte de madeira sobre um riacho até entrarmos na aldeia. Todo o piso estava pavimentado a xisto e todas as casas ostentavam aquilo a que vínhamos (exceptuando uma casa, já caída de podre que estava caiada de branco). Uma visão curiosa até agora inédita chamou-me a atenção, sendo ela uma loja de ervas. Uma loja de ervas colocada neste fim do mundo. Enfim há malucos para tudo. Pouco depois encontrámos um senhor que regava o seu quintal, de férias com as suas duas filhas e que nos confessou existir ali uma propriedade destinada para agricultura biológica, provavelmente o mesmo dono da loja de ervas. Através dele ficámos a saber que viviam oito pessoas na aldeia permanentemente, mas que em tempo de férias a população aumentava. Tenho que fazer aqui uma pausa para dissertar um pouco sobre alguns pontos que acho interessantes mencionar nesta altura. Ao longo de toda a viagem não raras foram as vezes que ao entrarmos em aldeias que contavam com menos de uma ou duas dezenas de habitantes, e com tão poucas casas para serem habitadas nunca víamos mais do que, digamos 10% da população (salvo a rara excepção de Comareira onde eu e o Rui conhecemos 75% da população por não termos medo de cães ). Outro ponto importante frisar foi o de que apesar de Cerdeira até ter mais habitantes que outras aldeias previamente visitadas nunca me senti tão isolado como aqui. O simples facto de existir um pequeno trilho até chegar à aldeia deixou-me contente por verificar que ainda há locais habitados onde o progresso não chegou e principalmente não destruiu a ordem natural das coisas. De facto estávamos tão isolados que quando chegou a hora de jantar (tínhamos decidido jantar e dormir no largo da igreja onde estava colocado estrategicamente um “barbecue” construído pela população da aldeia para os dias de festa), assámos chouriça e só quando a luz do sol falhou nós apercebemos que a aldeia não tinha electricidade e estávamos no escuro. Tive que ligar as luzes do carro e com a ajuda da minha lanterna e da do Manolo lá nos desenrascámos e o manjar até foi bem bom, chouriça e presunto assados com pão e tinto traçado a 7up e licor de casca de pêssego a acompanhar. Um repasto digno de um vagabundo abastado que não olha a meios para abraçar a total experiência do seu propósito (não sei se haverá alguma hierarquia no mundo da vagabundice mas eu começo a subir no ranking). Até aqui tudo bem, mas como mencionei antes a falta de luz parecia incomodar algumas pessoas que (sem mencionar nomes, tirando o Bio que tenho que dizer pois confessou-nos a teoria mais espetacular que ouvi nos últimos tempos, a de que os ursos vão dominar o mundo num futuro próximo, qualquer coisa sobre conseguirem sobrepôr-se aos humanos) ao ouvirem o mínimo barulho saltavam no ar bradando a plenos pulmões alarmes sobre ursos e linces e violadores que se arrastavam pela floresta. Com o tempo e o final da refeição vieram as perguntas, “e se aparece um urso?”, “e se aparece uma alcateia de lobos?”, “e se aparecem uns gajos bebâdos e nos matam?”. Toda esta mariquice/paranóia alastrou-se como uma praga num filme do George Romero e a gota de água aconteceu quando um gato estava a 3 metros de nós a lamber o papel onde a chouriça assada tinha repousado sem ninguém saber. Não estava lua cheia mas de facto não se via para além de 2 metros a nossa frente, e mesmo esses era com dificuldade. No entanto por maioria lá se decretou que fôssemos dormir a Lousã. Em minha defesa devo referir que sempre fui contra esta ideia pois uma das regras do vagabundo que aprendi e já referia acima é escolher sempre o local para pernoitar quando ainda há luz para tal. Assim lá conduzi o carro até à Lousã onde beberricámos umas minis numa esplanada até sermos expulsos por volta da meia noite. A Lousã não tem noite nenhuma ou então passámos muito longe dela. É que nem a discoteca “Padaria” parecia animada. Depois começou o martírio, encontrar um local para dormir. Obviamente nenhum dos presentes conhecia os arredores e portanto toca de seguir para onde parece que há sítios fixes para dormir. Fixe ou não chegámos a um sítio que até parecia bem escondido mas tinha uma placa que dizia “Campo de treino de caça”. Era capaz de ser um bocado inconveniente acordarmos com o rabo cheio de zagalote e com cães a arrastarem-nos pelas pernas. Finalmente regressamos pela estrada para a serra mas em vez de seguirmos para o primeiro local acordado em Cerdeira cortamos antes e andamos uns quanto quilómetros até desistirmos de andar (supostamente o caminho levar-nos-ia a um parque de merendas, mas foda-se, fazer 50km para comer uma merenda sentado num banco de madeira mais vale faze-lo numa pedra). Assim deitados numa placa de cimento e com alguns montes de areia em redor lá nos deitámos. Dois dedos de conversa depois começam os primeiros a cair, e tal como tinha previsto as minhas insónias aliadas ao roncar incessável dos meus companheiros não me deixou dormir. À minha direita o Manolo ressonava abundantemente, seguido pelo Rui e à minha esquerda o Marquito acompanhava-os numa orquestra infernal. Só o Bio me deixava em paz. Pois bem agarrei no saco-cama e afastei-me alguns metros, o suficiente para deixar de os ouvir e conseguir dormir em relativa paz.
Danceteria
São 6h28 da manha, de quinta para sexta e
aqui estou eu a tentar escrever alguma coisa, embebido até mais não!
A história reza assim:
Eu e o zezito dirigimo-nos para a caixinha de música – English Bar!
Bêbados que nem um caixo procuramos a diversão.
Fomos corridos a porrada, como mais poderia ser….
Não no sentido literal, caso o zezito astutamente não tivesse chamado a policia.
A casa de banho estava toda vomitada e não havia a chamada “distância higiénica” da qual o porteiro me falava!!
A minha resposta foi…quem lhe dera ser tão aciado quanto eu!!!
Os olhos reviraram, e os músculos da porta ameaçavam-nos de porrada.
Eu numa tentativa vã tentava-lhe explicar o predicado e o sujeito fui questionado:
Onde estudas?
Coimbra - respondi eu!
Logo vi - disse o músculo direito para o esquerdo.
Prontamente lhe perguntei:
Porque? Não entendes o que te pergunto? Afinal falamos a mesma língua !!!
Vocês são diferentes!!!
Eu sou pela força vocês são pelo nada……
Tudo começou quando o Zé lhe pediu o livro de reclamações!
Prontamente foi lhe perguntado, se prefiria levar na cara…nos tomates ou nos dois|
Tudo isto porque o Zé disse: “ Sujeito é capaz de me arranjar o livro de reclamações?”
O tipo passa-se.”SUJEITO” a mim ninguém falta ao respeito?Nem a minha mãe? Não é Marta? (Pergunta retórica.)
Eu coço a cabeça e digo:
E que mal tem?? Preferias que dissesse: Ohhhh gaijo traz me o livro de reclamações??
Sem resposta… a policia chegou….!!!
Policia – Oh amigo tem a certeza que quer fazer isto, depois de cumprimentar de beijo e pancadinha nas costas ao dono da espelunca bimbal!!
É claro suAs bestas, disse eu para mim próprio…..
Depois de tanto falar…de tantas hormonas no ar, deitei tudo para trás e arrastei o zezito!
Como é possível….a policia pactue com esta gente... a justiça é um caracol sem tempo…….!
Só digo: Ainda bem que não estudo direito, mas ser endireita neste país dá muito trabalho e pouco pão!!
Se o texto estiver incompreensivel...estou bem a cagar.....
Enlish SUCK´s
aqui estou eu a tentar escrever alguma coisa, embebido até mais não!
A história reza assim:
Eu e o zezito dirigimo-nos para a caixinha de música – English Bar!
Bêbados que nem um caixo procuramos a diversão.
Fomos corridos a porrada, como mais poderia ser….
Não no sentido literal, caso o zezito astutamente não tivesse chamado a policia.
A casa de banho estava toda vomitada e não havia a chamada “distância higiénica” da qual o porteiro me falava!!
A minha resposta foi…quem lhe dera ser tão aciado quanto eu!!!
Os olhos reviraram, e os músculos da porta ameaçavam-nos de porrada.
Eu numa tentativa vã tentava-lhe explicar o predicado e o sujeito fui questionado:
Onde estudas?
Coimbra - respondi eu!
Logo vi - disse o músculo direito para o esquerdo.
Prontamente lhe perguntei:
Porque? Não entendes o que te pergunto? Afinal falamos a mesma língua !!!
Vocês são diferentes!!!
Eu sou pela força vocês são pelo nada……
Tudo começou quando o Zé lhe pediu o livro de reclamações!
Prontamente foi lhe perguntado, se prefiria levar na cara…nos tomates ou nos dois|
Tudo isto porque o Zé disse: “ Sujeito é capaz de me arranjar o livro de reclamações?”
O tipo passa-se.”SUJEITO” a mim ninguém falta ao respeito?Nem a minha mãe? Não é Marta? (Pergunta retórica.)
Eu coço a cabeça e digo:
E que mal tem?? Preferias que dissesse: Ohhhh gaijo traz me o livro de reclamações??
Sem resposta… a policia chegou….!!!
Policia – Oh amigo tem a certeza que quer fazer isto, depois de cumprimentar de beijo e pancadinha nas costas ao dono da espelunca bimbal!!
É claro suAs bestas, disse eu para mim próprio…..
Depois de tanto falar…de tantas hormonas no ar, deitei tudo para trás e arrastei o zezito!
Como é possível….a policia pactue com esta gente... a justiça é um caracol sem tempo…….!
Só digo: Ainda bem que não estudo direito, mas ser endireita neste país dá muito trabalho e pouco pão!!
Se o texto estiver incompreensivel...estou bem a cagar.....
Enlish SUCK´s
quarta-feira, 27 de setembro de 2006
Tetas vindimadas
Do outro lado da rua iam elas,
mais quentes que um cachecol.
Aqueciam as costas à dona
e engatavam os calcanhares.
O policia do outro lado da rua já dava sinal,
o fogo estava ateado.
Um catraio mijava contra os queixos,
e de seus bolsos saia um formigueiro.
A rua estava embrutecida.
O terreno já estava lavrado,
Mário, o agricultor já as tinha vindimado,
Que doce vinho jorravam roliças irmãs.
Encorpadas e sempre insaciadas,
cantavam uma velha musica do oeste.
*Ao putanheiro, ao gargantilha, ao leal namorado o que for que isso seja.
mais quentes que um cachecol.
Aqueciam as costas à dona
e engatavam os calcanhares.
O policia do outro lado da rua já dava sinal,
o fogo estava ateado.
Um catraio mijava contra os queixos,
e de seus bolsos saia um formigueiro.
A rua estava embrutecida.
O terreno já estava lavrado,
Mário, o agricultor já as tinha vindimado,
Que doce vinho jorravam roliças irmãs.
Encorpadas e sempre insaciadas,
cantavam uma velha musica do oeste.
*Ao putanheiro, ao gargantilha, ao leal namorado o que for que isso seja.
terça-feira, 26 de setembro de 2006
Noticias do Além
Taparam-lhe os olhos
Ou estará cego?
Não. Está Perdido, responde um sábio.
Montado num funil,
como o Aladino no tapete,
Entrou numa viagem.
Foi para longe diz o homem da Portagem.
Faz tempo que desapareceu,
Ninguém sabe dele.
Já nem os cães o reconhecem,
Cagam e mijam sem qualquer remorso.
Casou-se! - disse um velho do Além.
Com quem? – pergunta o padre.
Com a solidão - responde o velho
Uma águia que voava no Além
Viu com uma enxada ás costas:
Cultivava um amor cego.
No seu peito já não batia a saudade,
O seu coração estava mais pequeno.
Pobre alma. - Murmurou o padre.
Ou estará cego?
Não. Está Perdido, responde um sábio.
Montado num funil,
como o Aladino no tapete,
Entrou numa viagem.
Foi para longe diz o homem da Portagem.
Faz tempo que desapareceu,
Ninguém sabe dele.
Já nem os cães o reconhecem,
Cagam e mijam sem qualquer remorso.
Casou-se! - disse um velho do Além.
Com quem? – pergunta o padre.
Com a solidão - responde o velho
Uma águia que voava no Além
Viu com uma enxada ás costas:
Cultivava um amor cego.
No seu peito já não batia a saudade,
O seu coração estava mais pequeno.
Pobre alma. - Murmurou o padre.
[ # ] 0906
[ # ]0906
Os sinos tocam
Os badalos rebentam!
Do cimo da torre
Escorre o sonho.
Desce
Desaparece
Vulva, Volvendo-se.
Os sinos tocam
Os badalos rebentam!
Do cimo da torre
Escorre o sonho.
Desce
Desaparece
Vulva, Volvendo-se.
Assembleias Prometidas
Chega de saudosismos
O amanha é o hoje de ontem. Passando o ontem a ser o amanhã de agora.
Tal como profetizado na obra Siddhartha, o tempo é como a água corrente do riacho. Nada é passado nada é vindouro, apenas água que corre num lugar sem espaço, nem tempo.
Não vamos recordar tristemente a história e as glórias passadas. Vamos sim escrever novos capítulos com as sábias palavras de outrora.
Vamos reinventar. Vamos progredir. Vamos celebrar, tudo aquilo que fomos e somos na direcção do que seremos. Vamos ser nanikos por uma vez mais. Por um momento que seja, o descanso deste fundão ser corrompido pela folia dos mais boémios. Vamos inquietar os milhentos pardais que dormitam por estas ruas e criar nuvens esvoaçantes de euforia e rejubile-o, no espírito dos que outrora viram o seu ser tremer face à fada verde. Para assim festejar, viver.
E uma única coisa assegura a minha alma, para o cumprimento desta visão. Sei que os melhores afugentares de passarada que algum dia este fundão já viu, por entre os seus becos e vielas, vão estar a meu lado. Com tamanha força não há bagaço que meta medo nem sangria capaz de corromper a melhor das alcoolemias.
O amanha é o hoje de ontem. Passando o ontem a ser o amanhã de agora.
Tal como profetizado na obra Siddhartha, o tempo é como a água corrente do riacho. Nada é passado nada é vindouro, apenas água que corre num lugar sem espaço, nem tempo.
Não vamos recordar tristemente a história e as glórias passadas. Vamos sim escrever novos capítulos com as sábias palavras de outrora.
Vamos reinventar. Vamos progredir. Vamos celebrar, tudo aquilo que fomos e somos na direcção do que seremos. Vamos ser nanikos por uma vez mais. Por um momento que seja, o descanso deste fundão ser corrompido pela folia dos mais boémios. Vamos inquietar os milhentos pardais que dormitam por estas ruas e criar nuvens esvoaçantes de euforia e rejubile-o, no espírito dos que outrora viram o seu ser tremer face à fada verde. Para assim festejar, viver.
E uma única coisa assegura a minha alma, para o cumprimento desta visão. Sei que os melhores afugentares de passarada que algum dia este fundão já viu, por entre os seus becos e vielas, vão estar a meu lado. Com tamanha força não há bagaço que meta medo nem sangria capaz de corromper a melhor das alcoolemias.
Um poema amarelecido que me esgarçou a algibeira
Para uma puta desconhecida
Linda,
Puta das mil e uma noites,
Olhos tremendos,
Loucos, Selvagens,
Um animal perdido entre chamas
Linda,
Puta das mil e uma noites,
Olhos tremendos,
Loucos, Selvagens,
Um animal perdido entre chamas
Requiem desafinado por um pároco de aldeia
Oh sede cruel! O mais cruel dos males daqueles que experimentam a cólera de Deus! Oh puta! Oh vinho! Oh bebedeira capaz de lançar sementes de ódio nos sete leitos do ganges e de fecundar todo o Egipto! Ó padre Barreiros, bebe um garrafão de vinho! Alivia o ardor que te devora a alma! E, todos os teus membros, roídos pelas ratas de sacristia, conhecerão o viço dos ancestrais verdes anos! Oh fé cristã! Por ti, limpa o senhor a atmosfera de influxos nocivos! Oh padre Barreiros! Traz as grinaldas da sepultura e a tua sotaina festiva! Vem revelar aos nanikos mortais os decretos da providência, a benéfica esporradela celestial que assusta o negrume da morte! Derrama-nos o teu vinho piadoso em gritos de júbilo! Oh Padre comacarnal! Oh padre das mórbidas viúvas! Vem mijar vinhaça no rosto abrasado do xicoxico em espasmos de alma! Dourado resplendor da borga das ninfas! Oh Padre! Extrema unção, nunca mais! Cristo nunca interromperá a sua casta melodia! Barreiros, el matador das putas e dos delinquentes! Espacem no ar os roucos gemidos das doidas! Atingiremos os pináculos da grandeza, padre! Cresce para o inferno, Barreirrinho gringo! Para uma majestosa canzanada! Graças ao eterno, penetrarás a Linda, a Carlota Joaquina, a Afrodite, a rainha D. Amélia, o Zé Laden, o El pibe! Deixa os cantos de humildade duvidosa e de devoção! Oh padre Barreiros! Enraba uma milícia de anjos ébrios!
Luz eterna para os cordeiros de Deus. Amén.
Para o palmo e meio shiva, que luta dia e noite, com denodado esforço, para alegremente difundir a sua radiação de exilado da pátria mater Lisbonne, o seguinte: os padres, mesmo os mais marcados por crimes hediondos, como o Barreiros quando recusou o bom alimento a uma criança baptizada do Eppacdm, professam um saber indispensável: tudo é de graça. Num mundo de ganância e ambição desmedida, a rectidão deste espiche não deve merecer qualquer abjecta ignomínia do parlamentar-discursivo do shiva sobre párocos. Um novo erro crasso e será de esperar a respectiva sanção autoritatas devidamente reverenciada. Pintelheira em espiral à moda da garça, de sua Eminência Cardeal Gomes, parece-me ajustado face ao delitro.
Luz eterna para os cordeiros de Deus. Amén.
Luz eterna para os cordeiros de Deus. Amén.
Para o palmo e meio shiva, que luta dia e noite, com denodado esforço, para alegremente difundir a sua radiação de exilado da pátria mater Lisbonne, o seguinte: os padres, mesmo os mais marcados por crimes hediondos, como o Barreiros quando recusou o bom alimento a uma criança baptizada do Eppacdm, professam um saber indispensável: tudo é de graça. Num mundo de ganância e ambição desmedida, a rectidão deste espiche não deve merecer qualquer abjecta ignomínia do parlamentar-discursivo do shiva sobre párocos. Um novo erro crasso e será de esperar a respectiva sanção autoritatas devidamente reverenciada. Pintelheira em espiral à moda da garça, de sua Eminência Cardeal Gomes, parece-me ajustado face ao delitro.
Luz eterna para os cordeiros de Deus. Amén.
tUm…TuM…tUm…..tum ___________ .
Chamem a ambulância, doutores e apêndices,
um coração parou!
Já vai tarde….
Mais um nome lapidado no museu da saudade:
“Aqui jaze Francisco Elias, o Arcaico do Fundão, o Anti-Progresso,
O mais parvo de todos”.
Morto!
Matado!
Morreu de angústia, triste e longe de casa.
Morcegos de dentes afiados atacaram-no sem avisar,
ferido esvaiu-se em sangue até morrer.
Um “shot” de bagaço do avô garcia passa por vela…
A terra já não é de ninguém,
Morreu o canto e o encanto.
Chamem a ambulância, doutores e apêndices,
um coração parou!
Já vai tarde….
Mais um nome lapidado no museu da saudade:
“Aqui jaze Francisco Elias, o Arcaico do Fundão, o Anti-Progresso,
O mais parvo de todos”.
Morto!
Matado!
Morreu de angústia, triste e longe de casa.
Morcegos de dentes afiados atacaram-no sem avisar,
ferido esvaiu-se em sangue até morrer.
Um “shot” de bagaço do avô garcia passa por vela…
A terra já não é de ninguém,
Morreu o canto e o encanto.
segunda-feira, 25 de setembro de 2006
O Dilúvio Escarlate
Dentro da temática ultimamente debatida no blog, também eu gostaria de expressar as minhas opiniões sobre a cruz e o garrafão (maioritariamente) na perspectiva de uma pessoa com alguma experiência nestas andanças que se vê sozinha entre milhões na capital poruguesa.
Não é de agora, mas mais uma vez acontece-me que digo para mim próprio enquanto estou sentado numas escadas no bairro de Santos "Vou desistir de sair à noite aqui, não me consigo adaptar". Foi então que me lembrei que, passe o egoísmo, talvez não se passe nada de errado comigo mas sim com as pessoas que passam a minha frente.
Muito me entristece ver de facto a minha geração na grande maioria e mais preocupante ainda a próxima geração cair às tentações da vida citadina. Sim porque na minha óptica a cruz e o garrafão deixaram de andar de mãos dados devido ao fenómeno das grandes cidades. Senão atentem nos vossos olhos quando deambularem pelas noites citadinas (referindo-me obviamente aos grandes centros urbanos portugueses), não encontramos o culto do garrafão em lado nenhum e o mais próximo que encontramos é a profanação chamada sangria.Como todos sabemos a sangria está para o vinho como o a masturbação está para o sexo, um substituto de recurso que não está ao nível do autêntico.De facto toda a degeneração da cruz na sociedade portuguesa também está assente na modernização (necessária) dos idos costumes do Estado Novo. Hoje em dia um jovem de 16 anos prefere deslocar-se de táxi ou no carro dos pais (pobres diabos) até ao estabelecimento nocturno da moda (alusão ao fenómeno das revistas sociais, cor-de-rosa que nascem como cogumelos) para beberricar uma bebida da moda custando ao bolso dos progenitores qualquer coisa como 10% de um salário mínimo nacional por noite. Porque não deslocar-se à tasca do bairro onde o senhor Joaquim serve bom vinho por 20 cêntimos o cálice? O "drunken stupor" é mais facilmente atingido caso seja esse o objectivo, ou em alternativa pode-se sempre beberricar o néctar dos deuses (saudável como sempre) em vez de uma qualquer mistela adubada vinda de leste misturada com sumo de fruta podre.
Imaginemos agora que estamos com mais 10 ou 15 anos, casados e em vias de ser pais. Será saudável criar uma criança num ambiente altamente nocivo (urbano) onde não poderá conviver naturalmente com crianças da sua idade fora do horário escolar, onde não poderá brincar na rua até o sol cair, onde não poderá andar de bicicleta ou skate até se fartar de cair. Todas estas aprendizagens são fundamentais na construção do carácter adulto. A criança que nunca andou de bicicleta vai ter medo de cair quando tiver que a montar. De facto não é uma experiência nova para mim encontrar pessoas que viveram a sua infância numa redoma protegidos de tudo o que os rodeava, e ao mesmo tempo privados desse mesmo ambiente. Não é desta forma penso eu que se deve criar a próxima geração. Num momento em que também a sociedade lança alertas sobre a destruição do planeta, qual será a importância que a criança de hoje, adulto de amanhã dará à flora e fauna, se a sua noção de flora é a relva que serve de WC à fauna que tem a viver no seu T2.
Da mesma forma podemos mostrar que a vida saudável do campo é amiga do convívio e também da introdução preparatória aos flagelos da juventude, o alcoól e as drogas. Mas enquanto que a vida rural apenas nos apresenta estas facetas na sua forma mais pura mostrando-nos como desfrutar delas sem cair em tentação (como prega o bom livro), a vida citadina mostra-nos apenas as tentações sem nos apresentar limites. Enfim a sociedade citadina poderá ser completamente encarada como uma Sodoma e Gomorra moderna e apenas os mais astutos saberam enxergar a salvação através do garrafão e da cruz.
A geração "Morangos com açúcar" posso dizer a plenos pulmões não atingirá a salvação pois chegará o dia onde apenas os ébrios de espírito sobreviverão, um dilúvio escarlate a que apenas os mais sedentos escaparão.
Não é de agora, mas mais uma vez acontece-me que digo para mim próprio enquanto estou sentado numas escadas no bairro de Santos "Vou desistir de sair à noite aqui, não me consigo adaptar". Foi então que me lembrei que, passe o egoísmo, talvez não se passe nada de errado comigo mas sim com as pessoas que passam a minha frente.
Muito me entristece ver de facto a minha geração na grande maioria e mais preocupante ainda a próxima geração cair às tentações da vida citadina. Sim porque na minha óptica a cruz e o garrafão deixaram de andar de mãos dados devido ao fenómeno das grandes cidades. Senão atentem nos vossos olhos quando deambularem pelas noites citadinas (referindo-me obviamente aos grandes centros urbanos portugueses), não encontramos o culto do garrafão em lado nenhum e o mais próximo que encontramos é a profanação chamada sangria.Como todos sabemos a sangria está para o vinho como o a masturbação está para o sexo, um substituto de recurso que não está ao nível do autêntico.De facto toda a degeneração da cruz na sociedade portuguesa também está assente na modernização (necessária) dos idos costumes do Estado Novo. Hoje em dia um jovem de 16 anos prefere deslocar-se de táxi ou no carro dos pais (pobres diabos) até ao estabelecimento nocturno da moda (alusão ao fenómeno das revistas sociais, cor-de-rosa que nascem como cogumelos) para beberricar uma bebida da moda custando ao bolso dos progenitores qualquer coisa como 10% de um salário mínimo nacional por noite. Porque não deslocar-se à tasca do bairro onde o senhor Joaquim serve bom vinho por 20 cêntimos o cálice? O "drunken stupor" é mais facilmente atingido caso seja esse o objectivo, ou em alternativa pode-se sempre beberricar o néctar dos deuses (saudável como sempre) em vez de uma qualquer mistela adubada vinda de leste misturada com sumo de fruta podre.
Imaginemos agora que estamos com mais 10 ou 15 anos, casados e em vias de ser pais. Será saudável criar uma criança num ambiente altamente nocivo (urbano) onde não poderá conviver naturalmente com crianças da sua idade fora do horário escolar, onde não poderá brincar na rua até o sol cair, onde não poderá andar de bicicleta ou skate até se fartar de cair. Todas estas aprendizagens são fundamentais na construção do carácter adulto. A criança que nunca andou de bicicleta vai ter medo de cair quando tiver que a montar. De facto não é uma experiência nova para mim encontrar pessoas que viveram a sua infância numa redoma protegidos de tudo o que os rodeava, e ao mesmo tempo privados desse mesmo ambiente. Não é desta forma penso eu que se deve criar a próxima geração. Num momento em que também a sociedade lança alertas sobre a destruição do planeta, qual será a importância que a criança de hoje, adulto de amanhã dará à flora e fauna, se a sua noção de flora é a relva que serve de WC à fauna que tem a viver no seu T2.
Da mesma forma podemos mostrar que a vida saudável do campo é amiga do convívio e também da introdução preparatória aos flagelos da juventude, o alcoól e as drogas. Mas enquanto que a vida rural apenas nos apresenta estas facetas na sua forma mais pura mostrando-nos como desfrutar delas sem cair em tentação (como prega o bom livro), a vida citadina mostra-nos apenas as tentações sem nos apresentar limites. Enfim a sociedade citadina poderá ser completamente encarada como uma Sodoma e Gomorra moderna e apenas os mais astutos saberam enxergar a salvação através do garrafão e da cruz.
A geração "Morangos com açúcar" posso dizer a plenos pulmões não atingirá a salvação pois chegará o dia onde apenas os ébrios de espírito sobreviverão, um dilúvio escarlate a que apenas os mais sedentos escaparão.
A cruz e o garrafão
A igreja católica e os Nanikos FC são, por motivos diferentes, duas instituições que se encontram actualmente num estado de profunda decadência. Contudo, acredito que através de uma colaboração estreita entre ambas, nos aspectos que têm em comum, o ciclo negativo pode ser rapidamente invertido.
Incapaz de suster o ímpeto de secularização que começou a alastrar nas sociedades ocidentais a partir do século XVI, a igreja viu o seu poder ser paulatinamente subtraído à m
edida que a Modernidade emancipava o pensamento do homem europeu em relação à metafísica cristã. Além disso, a contestação aos dogmas religiosos dominantes na época estilhaçaram a supremacia católica quanto à interpretação dos textos bíblicos, originando uma multiplicidade de credos dos quais se destacou, pela sua importância histórica e política, o protestantismo. Assim, por estas e por muitas outras razões, chegados ao tempo presente, vemos uma igreja católica incapaz de cativar os espíritos dos mais jovens para a importância do credo cristão. Neste contexto, não será excessivo dizer que as cartas e as previsões superficiais da taróloga Maya têm mais força e adesão do que a carunchosa e arcaica (passe a expressão) cruz de Cristo.
Também os Nanikos FC se encontram, infelizmente, num estado análogo. Incapaz de continuar com uma equipa competitiva que aliasse, como nos tempos áureos, o desporto ao álcool (e vice-versa), a importância e o peso desta colectividade na sociedade alcóolico-recreativa decaiu imenso nos últimos três anos.
A juntar a este estado de coisas já de si catastrófico, há ainda um terrível flagelo que dá pelo nome de “geração-moranguinhos”. Profundamente influenciados pela deprimente série “Morangos com Açúcar”, os jovens compreendidos na faixa etária que vai desde os 10 até aos 18/19 anos perdeu a ancestral cultura do garrafão. Contudo, esta tradição que todos nós orgulhosamente ainda preservamos não foi substituída por outra melhor (se é que isso fosse possível), mas sim pelo status fútil e perfeitamente inócuo de um polo da Ralph Lauren; pelas idas, fim-de-semana sim fim-de-semana não, ao cabeleireiro; pelos telemóveis da última geração; pelas frustradas tentativas dos DZR’T em fazer algo que se assemelhe com música. E tudo isto com que finalidade? A resposta não podia ser mais constrangedora: para que os meninos estejam em sintonia com o penteado e com o toque polifónico dos seus ídolos amorangados.
O cenário não podia ser mais negro. A decadência destas duas instituições, igreja católica e Nanikos FC, representa o fim da matriz ideológica, personificada na cruz e no garrafão, que durante séculos norteou o espírito dos nossos antepassados para obras valorosas que perdurassem para além da efémera condição humana. Sem inspiração divina não existiria a capela Sistina; sem o álcool não teria havido Fernando Pessoa.
Contudo, um raio de esperança iluminou-me quando estava a ler o livro “Ressurreição” de L. Tolstoi. O excerto da obra que me encheu de esperanças é o seguinte:
“Após ter-lhes perguntado como se chamavam, o sacerdote tirou cuidadosamente, com uma pequena colher, os bocados de pão ensopados de vinho e introduziu-os profundamente na boca de cada uma das crianças, enquanto o sacristão, enxugando-lhes os lábios, entoava alegremente um cântico que dizia que as crianças tinham comido o corpo de Deus e bebido o seu sangue”.
Esta descrição do escritor russo mostra de uma forma brilhante e quase comovente como as crianças desde tenra idade eram habituadas ao doce sabor do néctar dos deuses. Através desta liturgia, garantia-se, por um lado, que a pequenada iria seguir de bom grado os desígnios de Deus e por outro que a cultura do garrafão perduraria ao longo de gerações, evitando-se que caíssem nas garras tentadoras dos DZR´T da altura.
Contudo, este ritual foi inexplicavelmente abandonado. Apenas subsistiu em remotas zonas do nosso país através das famosas e aconchegantes sopas de cavalo cansado. Apesar do padre continuar a dizer na altura da consubstanciação do vinho em sangue “tomai todos e bebei” só ele é que emborca, feito lambão, o vinho todo, não observando o valor da partilha, como Jesus Cristo tão profusamente difundiu entre os seus discípulos.
Por isso, em nome dos Nanikos FC, faço um apelo ao Patriarca de Lisboa, Dom José da Cruz Policarpo, que envide todos os esforços no sentido de que esta edificante liturgia volte a entrar na eucaristia dominical. Seria quase como o paraíso na terra, passe a expressão, ver o padre do Fundão, por exemplo, a ensopar a hóstia sagrada em bom vinho tinto Alcambar colheita de 2003 ou mesmo num Cova da Beira de 2004 e a pô-la na boca de um petiz de 8 anos. Quando tal suceder, pode contar comigo na primeira fila da igreja em todos Domingos, caro Dom Policarpo.
Hoje em dia, mais do que nunca, precisamos de uma sólida aliança entre a cruz e o garrafão para fazer face às muitas tentações que afastam os jovens do caminho certo. Acredito que essa é igualmente a sua opinião.
Incapaz de suster o ímpeto de secularização que começou a alastrar nas sociedades ocidentais a partir do século XVI, a igreja viu o seu poder ser paulatinamente subtraído à m
edida que a Modernidade emancipava o pensamento do homem europeu em relação à metafísica cristã. Além disso, a contestação aos dogmas religiosos dominantes na época estilhaçaram a supremacia católica quanto à interpretação dos textos bíblicos, originando uma multiplicidade de credos dos quais se destacou, pela sua importância histórica e política, o protestantismo. Assim, por estas e por muitas outras razões, chegados ao tempo presente, vemos uma igreja católica incapaz de cativar os espíritos dos mais jovens para a importância do credo cristão. Neste contexto, não será excessivo dizer que as cartas e as previsões superficiais da taróloga Maya têm mais força e adesão do que a carunchosa e arcaica (passe a expressão) cruz de Cristo.Também os Nanikos FC se encontram, infelizmente, num estado análogo. Incapaz de continuar com uma equipa competitiva que aliasse, como nos tempos áureos, o desporto ao álcool (e vice-versa), a importância e o peso desta colectividade na sociedade alcóolico-recreativa decaiu imenso nos últimos três anos.
A juntar a este estado de coisas já de si catastrófico, há ainda um terrível flagelo que dá pelo nome de “geração-moranguinhos”. Profundamente influenciados pela deprimente série “Morangos com Açúcar”, os jovens compreendidos na faixa etária que vai desde os 10 até aos 18/19 anos perdeu a ancestral cultura do garrafão. Contudo, esta tradição que todos nós orgulhosamente ainda preservamos não foi substituída por outra melhor (se é que isso fosse possível), mas sim pelo status fútil e perfeitamente inócuo de um polo da Ralph Lauren; pelas idas, fim-de-semana sim fim-de-semana não, ao cabeleireiro; pelos telemóveis da última geração; pelas frustradas tentativas dos DZR’T em fazer algo que se assemelhe com música. E tudo isto com que finalidade? A resposta não podia ser mais constrangedora: para que os meninos estejam em sintonia com o penteado e com o toque polifónico dos seus ídolos amorangados.
O cenário não podia ser mais negro. A decadência destas duas instituições, igreja católica e Nanikos FC, representa o fim da matriz ideológica, personificada na cruz e no garrafão, que durante séculos norteou o espírito dos nossos antepassados para obras valorosas que perdurassem para além da efémera condição humana. Sem inspiração divina não existiria a capela Sistina; sem o álcool não teria havido Fernando Pessoa.
Contudo, um raio de esperança iluminou-me quando estava a ler o livro “Ressurreição” de L. Tolstoi. O excerto da obra que me encheu de esperanças é o seguinte:
“Após ter-lhes perguntado como se chamavam, o sacerdote tirou cuidadosamente, com uma pequena colher, os bocados de pão ensopados de vinho e introduziu-os profundamente na boca de cada uma das crianças, enquanto o sacristão, enxugando-lhes os lábios, entoava alegremente um cântico que dizia que as crianças tinham comido o corpo de Deus e bebido o seu sangue”.
Esta descrição do escritor russo mostra de uma forma brilhante e quase comovente como as crianças desde tenra idade eram habituadas ao doce sabor do néctar dos deuses. Através desta liturgia, garantia-se, por um lado, que a pequenada iria seguir de bom grado os desígnios de Deus e por outro que a cultura do garrafão perduraria ao longo de gerações, evitando-se que caíssem nas garras tentadoras dos DZR´T da altura.
Contudo, este ritual foi inexplicavelmente abandonado. Apenas subsistiu em remotas zonas do nosso país através das famosas e aconchegantes sopas de cavalo cansado. Apesar do padre continuar a dizer na altura da consubstanciação do vinho em sangue “tomai todos e bebei” só ele é que emborca, feito lambão, o vinho todo, não observando o valor da partilha, como Jesus Cristo tão profusamente difundiu entre os seus discípulos.
Por isso, em nome dos Nanikos FC, faço um apelo ao Patriarca de Lisboa, Dom José da Cruz Policarpo, que envide todos os esforços no sentido de que esta edificante liturgia volte a entrar na eucaristia dominical. Seria quase como o paraíso na terra, passe a expressão, ver o padre do Fundão, por exemplo, a ensopar a hóstia sagrada em bom vinho tinto Alcambar colheita de 2003 ou mesmo num Cova da Beira de 2004 e a pô-la na boca de um petiz de 8 anos. Quando tal suceder, pode contar comigo na primeira fila da igreja em todos Domingos, caro Dom Policarpo.
Hoje em dia, mais do que nunca, precisamos de uma sólida aliança entre a cruz e o garrafão para fazer face às muitas tentações que afastam os jovens do caminho certo. Acredito que essa é igualmente a sua opinião.
Ode aos Nanikos
Fermentaram como vinho,
durante os 9 meses no ventro de suas mães.
De cálices tornaram-se taças,
transbordando uma rara sinfonia .
De olhos vendados encantam o mundo,
e entre seus dedos escoam magia.
Os seus pés fertilizam os campos,
humilhando qualquer deus.
Inigualáveis na terra, super homens de natureza,
nanikos fazem do preto branco.
Os instrumentos jorram lágrimas,
os músicos suicidam-se,
pois nem estes sabem como os acompanhar.
durante os 9 meses no ventro de suas mães.
De cálices tornaram-se taças,
transbordando uma rara sinfonia .
De olhos vendados encantam o mundo,
e entre seus dedos escoam magia.
Os seus pés fertilizam os campos,
humilhando qualquer deus.
Inigualáveis na terra, super homens de natureza,
nanikos fazem do preto branco.
Os instrumentos jorram lágrimas,
os músicos suicidam-se,
pois nem estes sabem como os acompanhar.
domingo, 24 de setembro de 2006
A Era da Orgia Fragmentada
A Era da Orgia Fragmentada
Um convite. Aceita-se a promessa do prazer.
Houve-se o swing despercebido na doce melodia do instante.
As mãos suam, as orelhas aquecem o peito rebenta.
O galo rompe o silêncio a vaca vira porca.
Há mercê da sede passeia-se nos corpos fundos de fungos,
onde os segredos crescem sobre formas geométricas.
O consolo torna-se em folhas de Outono - descoloradas e quebradiças.
A cidade suspensa desaba como um “pum”, ficando um cheiro nauseabundo.
A orgia é dos ovinos com caprinos,
a chocalharem entre si na calçada ao som de um compasso a três tempos.
Fogueiras de pautas de música que aquecem a noite,
cortam os lábios, queimam os olhos, agoniam os ventos inquietos.
Os animais salivam.
Vem aí mais um fragmento
Quem é?
Sou eu - responde a Cabra.
Um convite. Aceita-se a promessa do prazer.
Houve-se o swing despercebido na doce melodia do instante.
As mãos suam, as orelhas aquecem o peito rebenta.
O galo rompe o silêncio a vaca vira porca.
Há mercê da sede passeia-se nos corpos fundos de fungos,
onde os segredos crescem sobre formas geométricas.
O consolo torna-se em folhas de Outono - descoloradas e quebradiças.
A cidade suspensa desaba como um “pum”, ficando um cheiro nauseabundo.
A orgia é dos ovinos com caprinos,
a chocalharem entre si na calçada ao som de um compasso a três tempos.
Fogueiras de pautas de música que aquecem a noite,
cortam os lábios, queimam os olhos, agoniam os ventos inquietos.
Os animais salivam.
Vem aí mais um fragmento
Quem é?
Sou eu - responde a Cabra.
sábado, 23 de setembro de 2006
Ao Dinoussauro
O Dinissauro. Eu vi-o, numa rua perto da minha,
entre lúcido e ácido momento, com o mundo nas mãos.
O seu olhar traçava uma perpendicular ás raparigas,
ao mesmo tempo que o seu estômago bolsava um estranho cheiro a mar morto.
Naquele momento, enquanto a terra aparentemente adormecida,
o dinossauro despertava anunciando a eternidade.
Passeava nos sonhos das donzelas,tacteando avilmente os seus peitos
que brotavam vozes de desejo.
Todas as noites, a hora certa, tamanho animal uivava do cimo da colina,
num som estonteante, libertando um baba que escorria o monte, que acalmava
as queimaduras das virgens moças até as virgens santas.
Na única casa do monte, de uma pequena janela estava uma menina,uma linda menina, Heidi de seu nome.
O seu olhar doce e coração arritmado fez uma pergunta há muito desejada:
Como te chamas?
O dinoussaro parou o seu grito orgásmico como se tivesse a copular com mundo e disse o que nunca antes dissera:
Meu nome é Rui !
Já não havia tubarões no mar...
entre lúcido e ácido momento, com o mundo nas mãos.
O seu olhar traçava uma perpendicular ás raparigas,
ao mesmo tempo que o seu estômago bolsava um estranho cheiro a mar morto.
Naquele momento, enquanto a terra aparentemente adormecida,
o dinossauro despertava anunciando a eternidade.
Passeava nos sonhos das donzelas,tacteando avilmente os seus peitos
que brotavam vozes de desejo.
Todas as noites, a hora certa, tamanho animal uivava do cimo da colina,
num som estonteante, libertando um baba que escorria o monte, que acalmava
as queimaduras das virgens moças até as virgens santas.
Na única casa do monte, de uma pequena janela estava uma menina,uma linda menina, Heidi de seu nome.
O seu olhar doce e coração arritmado fez uma pergunta há muito desejada:
Como te chamas?
O dinoussaro parou o seu grito orgásmico como se tivesse a copular com mundo e disse o que nunca antes dissera:
Meu nome é Rui !
Já não havia tubarões no mar...
quinta-feira, 21 de setembro de 2006
Chico Time
Uma coisa feita a minha medida.....!!!
Ja foi numero 1 no top de musicas em inglaterra.....
Apreciem! ! ! ! !
http://www.youtube.com/watch?v=pvr4HcC4dG8
Ja foi numero 1 no top de musicas em inglaterra.....
Apreciem! ! ! ! !
http://www.youtube.com/watch?v=pvr4HcC4dG8
terça-feira, 12 de setembro de 2006
Era uma vez um Mito
Havia um mito......
Havia um recorde a bater....
Um só nome: Nanikos !
Existia um mito milenar que assombrava todos os pescadores de todo o mundo, uma especie de monstro de lockness na barragem da marateca, o PAPA CÚS!
Desde de criança que os Nanikos e o mundo ouviam falar deste mito pela boca dos velhinhos, os grandes sábios que diziam que so os mais astutos é que um dia poderiam desvendar tal coisa....
Como é sabido os Nanikos são conhecidos pela sua capacidade multifacetada....Eles vingam no desporto: Futebol, ao que parece no Ping Pong (ver post debaixo),Pesca desportiva, nas Artes:Cinema com curtas de meio minuto (bombay), e agora na área das Ciências, concretamente em Biologia Marinha!
Foi durante então uma suposta pic nic à beira Marateca (de modo a enganar o hipotetico peixe) que os Nanikos o apanharam em flagrante uma nova especie: Não era Carpa nem Achigans mas sim o Papa Cus, á qual comunidade cientifica ficou xocada com tamanha descoberta, afirmando que era " A maior descoberta do Mundo, batendo a descoberta de 2005,tb dos Nanikos,onde uma espécie o "homem animal" de seu nome Gilberto, que a foder parecia um Leão!!

Um associado aos Nanikos, Marusso, que se encontra na foto em pré posição fetal, foi o isco utilizado pela equipa nanikiana aquando questionado pelo capitao da expedição dizendo " Vai ver se ali estou!!"
O capitão que chefiava a equipa, MC Joao Martinho (na fotografia em cima de xapéu) afirmou:
"Precisavamos de um isco, mas nao um qualquer, e apôs alguns estudos ele foi encontrado"...."Ele nao sabia que estava a ser utilizado, quisemos manter o elemento surpresa...conseguimos".
Marrusso apenas conseguiu transmitir duas palavras " Morrerei Feliz"
Mais um record foi batido!
Havia um recorde a bater....
Um só nome: Nanikos !
Existia um mito milenar que assombrava todos os pescadores de todo o mundo, uma especie de monstro de lockness na barragem da marateca, o PAPA CÚS!
Desde de criança que os Nanikos e o mundo ouviam falar deste mito pela boca dos velhinhos, os grandes sábios que diziam que so os mais astutos é que um dia poderiam desvendar tal coisa....
Como é sabido os Nanikos são conhecidos pela sua capacidade multifacetada....Eles vingam no desporto: Futebol, ao que parece no Ping Pong (ver post debaixo),Pesca desportiva, nas Artes:Cinema com curtas de meio minuto (bombay), e agora na área das Ciências, concretamente em Biologia Marinha!
Foi durante então uma suposta pic nic à beira Marateca (de modo a enganar o hipotetico peixe) que os Nanikos o apanharam em flagrante uma nova especie: Não era Carpa nem Achigans mas sim o Papa Cus, á qual comunidade cientifica ficou xocada com tamanha descoberta, afirmando que era " A maior descoberta do Mundo, batendo a descoberta de 2005,tb dos Nanikos,onde uma espécie o "homem animal" de seu nome Gilberto, que a foder parecia um Leão!!

Um associado aos Nanikos, Marusso, que se encontra na foto em pré posição fetal, foi o isco utilizado pela equipa nanikiana aquando questionado pelo capitao da expedição dizendo " Vai ver se ali estou!!"
O capitão que chefiava a equipa, MC Joao Martinho (na fotografia em cima de xapéu) afirmou:
"Precisavamos de um isco, mas nao um qualquer, e apôs alguns estudos ele foi encontrado"...."Ele nao sabia que estava a ser utilizado, quisemos manter o elemento surpresa...conseguimos".
Marrusso apenas conseguiu transmitir duas palavras " Morrerei Feliz"
Mais um record foi batido!
Esta e para ti: CARAMELO (Mario) E BOMBINHA (Ruizito)
Um endereço de uma velha amiga perdido no meu msn "assaltou-me" abrindo uma janela disparando umas umas perguntas/afrimaçoes..ela tinha conhecido duas das maiores pérolas da beira interior!
(para que nao se confudem existem 2 ruis...o nosso e outro ke nao conehcem...)
O resultado foi:
*gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:05:32)
conheço um rapaz ke te conhecia a ti e a uma ex namorada tua k agora n m lembroo nome

*gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:06:20)
seria mariana?

*gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:06:28)
o rapaz é o rui mota de coimbra

*gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:06:33)
mas conhece-te do fundão

*gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:06:38)
sabes kem é?

**xicoxico says: (1:07:48)
rui mota?

*gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:07:53)
oui

**xicoxico says: (1:07:59)
ke faz ele da vida?

**xicoxico says: (1:08:05)
conheço um rui

**xicoxico says: (1:08:07)
que tb te conhece..

**xicoxico says: (1:08:13)
mas esse do fundao..

**gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:08:25)
um rui k tb m conhece?

*gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:08:30)
e esse o k é k faz?

**xicoxico says: (1:08:50)
o mesmo que tu

**xicoxico says: (1:09:20)
mas andou um ano em relaçoes internacionais..

**gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:09:31)
é o BOMBINHA!!!!

*gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:09:31)
lloooool

*gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:09:34)
ta no 3 ano do meu curso

*gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:09:35)
ahaha

**xicoxico says: (1:09:40)
bombinha?

*gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:09:46)
mas eu praticamente n o ocnheço km e k ele s lembra dmim

*gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:09:47)
ahaha

*gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:09:48)
mt bom

**xicoxico says: (1:09:55)
bombinha pk?

*gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:10:03)
sim axo k BOMBINHA TEM KKR COISA A VER COM O TALENTO DELE NO PING-PONG

**xicoxico says: (1:10:47)
uhm

**xicoxico says: (1:10:52)
isso e me desconhecido..

*gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:10:52)
n n o rui dk eu falo tem ai os seus 22 anos

*gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:11:11)
e d ecoimbra mas estudava na covilha em ciencias da comunicação

*gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:11:25)
conhece-te do fundão pk era o controleiro da jcp de uma ex namorada tua i guess

**xicoxico says: (1:12:16)
aah sei

**xicoxico says: (1:12:18)
conheço

**xicoxico says: (1:12:50)
sim o rui

**xicoxico says: (1:12:57)
entao como fui para ai no meio

**xicoxico says: (1:13:09)
uhm..

**xicoxico says: (1:13:14)
desconfio..

*gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:13:17)
hum?

**xicoxico says: (1:13:42)
essa tal rapariga tb anda colaborava com a jcp era?

*gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:13:49)
sei la

*xicoxico says: (1:13:53)
uhm..

*gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:13:56)
eu so sei k ele tv a falar

*gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:14:05)
do fundao paraca e do fundao para la

*gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:14:08)
e reuteteu

*gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:14:10)
e eu disse

*gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:14:15)
no fundao so conheço dois tipos

*gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:14:27)
e disse os nomes


*gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:15:00)
e ele disse k conhecia d facto um xico k era namorado d uma n sei das contas camarada nossa da jcp na altura em k andavamos todos no secundario

*gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:15:26)
e k era uma moça k ele adorav reuteteu e ke ele acompanhou knd foi responsavel da jota por coimbra

*gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:15:32)
é isso axo eu

*gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:15:45)
nao nao

*gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:15:48)
por coimbra nao

*gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:15:57)
cm nao

**xicoxico says: (1:16:02)
e deves estar a falar de uma Helena..

**xicoxico says: (1:16:06)
leninha..

*gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:16:06)
essa era a unica maneira d ele t conhecer

*gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:16:10)
isso isso

*gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:16:23)
a leninha (com sotake da sbeiras)



**xicoxico says: (1:19:40)
julgo que ainda aconheces outro amigo meu..

**xicoxico says: (1:19:46)
que um dia falamos..

*gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:20:05)
k amigo?

*xicoxico says: (1:20:12)
mario ..

*xicoxico says: (1:20:28)
julgo que era amigo de uma amigo teu..um francisco se nao me falha a memoria..

*gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:20:36)
ahahah

*gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:20:39)
O MARIO O CARAMELO!!

*gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:20:42)
amigo do xico borges

*gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:20:46)
UM SR PASSADO DA MOLEIRINHA

*gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:20:50)
k estuda direito na nova?


**xicoxico says: (1:20:54)
sim

**xicoxico says: (1:21:48)
estuda direito

*gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:21:56)
sim sim o ke fez akela fabulosa curta metragem

*gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:22:01)
k passou na cinemateca e tudo

*gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:22:03)
de seu nome

*gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:22:05)
canzana n sei k

*gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:22:07)
n m lembro

**xicoxico says: (1:22:10)
The Party is over 2..

**xicoxico says: (1:22:13)
The canzanas

*gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:22:14)
exacto

*gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:22:39)
o apocalipse mundial....a unica cidade que resta é o fundão......

*gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:22:57)
ha um aproibiçao geral por parte de um tirano de foder a unica gaja sobrevivente a canzana

*gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:23:01)
e o pessoal revolta-se

*gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:23:05)
e a cinemateca axou akilo genial

*gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:23:09)
este pais esta perdido

.....
*gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:23:57)
tinha uns dialogos mt bons

*gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:24:12)
a lena e akela das tuas fotos nakele armazem bueeeda giro?


*gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:24:17)
loool

*xicoxico says: (1:24:19)
essa é a clara.

gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:24:29)
ele tem uma pancada por personagens psicoticas n tem?

**xicoxico says: (1:24:31)
mas isto tem mt que se lhe diga..
....
*gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:42:58)
o bombinha e um gajo fixe apesar d nao gostar do godard

*gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:43:03)
na realidade ue tb n gosto

*gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:43:08)
por isso o bombinha e mm fixe

*gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:43:14)
O CARAMELO SERÀ SEMPRE O CARAMELO




(para que nao se confudem existem 2 ruis...o nosso e outro ke nao conehcem...)
O resultado foi:
*gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:05:32)
conheço um rapaz ke te conhecia a ti e a uma ex namorada tua k agora n m lembroo nome

*gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:06:20)
seria mariana?

*gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:06:28)
o rapaz é o rui mota de coimbra

*gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:06:33)
mas conhece-te do fundão

*gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:06:38)
sabes kem é?

**xicoxico says: (1:07:48)
rui mota?

*gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:07:53)
oui

**xicoxico says: (1:07:59)
ke faz ele da vida?

**xicoxico says: (1:08:05)
conheço um rui

**xicoxico says: (1:08:07)
que tb te conhece..

**xicoxico says: (1:08:13)
mas esse do fundao..

**gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:08:25)
um rui k tb m conhece?

*gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:08:30)
e esse o k é k faz?

**xicoxico says: (1:08:50)
o mesmo que tu

**xicoxico says: (1:09:20)
mas andou um ano em relaçoes internacionais..

**gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:09:31)
é o BOMBINHA!!!!

*gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:09:31)
lloooool

*gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:09:34)
ta no 3 ano do meu curso

*gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:09:35)
ahaha

**xicoxico says: (1:09:40)
bombinha?

*gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:09:46)
mas eu praticamente n o ocnheço km e k ele s lembra dmim

*gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:09:47)
ahaha

*gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:09:48)
mt bom

**xicoxico says: (1:09:55)
bombinha pk?

*gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:10:03)
sim axo k BOMBINHA TEM KKR COISA A VER COM O TALENTO DELE NO PING-PONG

**xicoxico says: (1:10:47)
uhm

**xicoxico says: (1:10:52)
isso e me desconhecido..

*gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:10:52)
n n o rui dk eu falo tem ai os seus 22 anos

*gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:11:11)
e d ecoimbra mas estudava na covilha em ciencias da comunicação

*gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:11:25)
conhece-te do fundão pk era o controleiro da jcp de uma ex namorada tua i guess

**xicoxico says: (1:12:16)
aah sei

**xicoxico says: (1:12:18)
conheço

**xicoxico says: (1:12:50)
sim o rui

**xicoxico says: (1:12:57)
entao como fui para ai no meio

**xicoxico says: (1:13:09)
uhm..

**xicoxico says: (1:13:14)
desconfio..

*gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:13:17)
hum?

**xicoxico says: (1:13:42)
essa tal rapariga tb anda colaborava com a jcp era?

*gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:13:49)
sei la

*xicoxico says: (1:13:53)
uhm..

*gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:13:56)
eu so sei k ele tv a falar

*gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:14:05)
do fundao paraca e do fundao para la

*gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:14:08)
e reuteteu

*gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:14:10)
e eu disse

*gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:14:15)
no fundao so conheço dois tipos

*gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:14:27)
e disse os nomes


*gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:15:00)
e ele disse k conhecia d facto um xico k era namorado d uma n sei das contas camarada nossa da jcp na altura em k andavamos todos no secundario

*gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:15:26)
e k era uma moça k ele adorav reuteteu e ke ele acompanhou knd foi responsavel da jota por coimbra

*gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:15:32)
é isso axo eu

*gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:15:45)
nao nao

*gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:15:48)
por coimbra nao

*gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:15:57)
cm nao

**xicoxico says: (1:16:02)
e deves estar a falar de uma Helena..

**xicoxico says: (1:16:06)
leninha..

*gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:16:06)
essa era a unica maneira d ele t conhecer

*gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:16:10)
isso isso

*gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:16:23)
a leninha (com sotake da sbeiras)



**xicoxico says: (1:19:40)
julgo que ainda aconheces outro amigo meu..

**xicoxico says: (1:19:46)
que um dia falamos..

*gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:20:05)
k amigo?

*xicoxico says: (1:20:12)
mario ..

*xicoxico says: (1:20:28)
julgo que era amigo de uma amigo teu..um francisco se nao me falha a memoria..

*gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:20:36)
ahahah

*gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:20:39)
O MARIO O CARAMELO!!

*gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:20:42)
amigo do xico borges

*gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:20:46)
UM SR PASSADO DA MOLEIRINHA

*gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:20:50)
k estuda direito na nova?


**xicoxico says: (1:20:54)
sim

**xicoxico says: (1:21:48)
estuda direito

*gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:21:56)
sim sim o ke fez akela fabulosa curta metragem

*gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:22:01)
k passou na cinemateca e tudo

*gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:22:03)
de seu nome

*gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:22:05)
canzana n sei k

*gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:22:07)
n m lembro

**xicoxico says: (1:22:10)
The Party is over 2..

**xicoxico says: (1:22:13)
The canzanas

*gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:22:14)
exacto

*gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:22:39)
o apocalipse mundial....a unica cidade que resta é o fundão......

*gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:22:57)
ha um aproibiçao geral por parte de um tirano de foder a unica gaja sobrevivente a canzana

*gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:23:01)
e o pessoal revolta-se

*gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:23:05)
e a cinemateca axou akilo genial

*gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:23:09)
este pais esta perdido

.....
*gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:23:57)
tinha uns dialogos mt bons

*gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:24:12)
a lena e akela das tuas fotos nakele armazem bueeeda giro?


*gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:24:17)
loool

*xicoxico says: (1:24:19)
essa é a clara.

gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:24:29)
ele tem uma pancada por personagens psicoticas n tem?

**xicoxico says: (1:24:31)
mas isto tem mt que se lhe diga..
....
*gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:42:58)
o bombinha e um gajo fixe apesar d nao gostar do godard

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*gosto muito de ir fazer compras ao regresso as aulas!! says: (1:43:14)
O CARAMELO SERÀ SEMPRE O CARAMELO




segunda-feira, 11 de setembro de 2006
mais trailler´s
O maquinista:
http://www.grapheine.com/classiktv/classiktv_play.php?id=33939
Açorianos:
http://www.grapheine.com/futeboltv/play.php?id=4449
http://www.grapheine.com/classiktv/classiktv_play.php?id=33939
Açorianos:
http://www.grapheine.com/futeboltv/play.php?id=4449
domingo, 10 de setembro de 2006
Liga dos Campeões...
http://en.uclfantasy.uefa.com
cógido para se juntarem à liga criada por mim (liga dos últimos) é 37808-9355
podem ganhar prémios...
Inscrevam-se!!
cógido para se juntarem à liga criada por mim (liga dos últimos) é 37808-9355
podem ganhar prémios...
Inscrevam-se!!
quinta-feira, 7 de setembro de 2006
Novas fotos
Para aguçar o apetite enquanto nao saem as fotos das terras do xisto e enquanto não há mais crónicas aqui ficam fotos do acampamento ibérico de Alpedrinha e da 1ª pescaria na Marateca. De referir ainda que há mais fotos disponíveis no albúm da Assembleia Geral dos Nanikos gentilmente cedidas pelo Dr Aleixo.
quarta-feira, 6 de setembro de 2006
Telemóveis e Ovos Cozidos
ATENÇÃO!!! (em especial para o bojo)
1 Ovo
2 Telemóveis
65 Minutos para telefonar de um telemóvel para o outro.
Montamos algo parecido com a imagem:
Iniciamos uma chamada entres os 2 telemóveis e deixamos durante 65 minutos aproximadamente…
Nos primeiros 15 minutos nada acontece;
Aos 25 minutos o ovo começa a aquecer;
Aos 45 minutos o ovo está quente;
Aos 65 minutos o ovo estará cozido.

Conclusão: a radiação emitida pelos telemóveis é capaz de modifcar as proteínas do ovo. Imagina o que ela pode fazer com as proteínas do nosso cérebro quando falamos ao telemóvel.
1 Ovo
2 Telemóveis
65 Minutos para telefonar de um telemóvel para o outro.
Montamos algo parecido com a imagem:
Iniciamos uma chamada entres os 2 telemóveis e deixamos durante 65 minutos aproximadamente…Nos primeiros 15 minutos nada acontece;
Aos 25 minutos o ovo começa a aquecer;
Aos 45 minutos o ovo está quente;
Aos 65 minutos o ovo estará cozido.

Conclusão: a radiação emitida pelos telemóveis é capaz de modifcar as proteínas do ovo. Imagina o que ela pode fazer com as proteínas do nosso cérebro quando falamos ao telemóvel.
Terras do Xisto 2006 - Dia 1
22 de Agosto de 2006 – Dia 1
Nove da manhã. Acordo com o sol a bater-me na cara e com insectos a voarem irritantemente perto da minha cabeça. Agora me lembro, já não estou na minha cama no Fundão, mas sim num pinhal perto de Bogas do Meio. Mas Bogas do Meio nem sequer é aldeia do xisto, porque viemos até cá? Partimos na noite anterior do Fundão em direcção à Barroca para um primeiro checkpoint mas ao chegarmos a Lavacolhos encontrámos uma festa popular em honra de um qualquer orago. Pois bem decidimos parar para refrescar as gargantas secas com vinho. O Manolo diz que não gosta de vinho, vai ter que se habituar e nada melhor que um branco traçadinho para começar. Eu e o Marquito como somos os mais velhos damos o exemplo e bebericamos um calicezinho de tinto como os “Antigos”. Dirigimo-nos então ao recinto das festividades onde nos deparamos com uma velha glória ao microfone, nada menos que Leonel Nunes, o homem do cacete. Após termos sidos satisfeitos do pedido de cantar os parabéns ao Bio seguimos viagem para Silvares onde cumprimos nova paragem no renovado Mundo’s. Mais umas quantas taças de tinto depois estamos a seguir para a Barroca onde iniciamos uma tradição de viagem: tirar foto junto da placa indicativa da localidade. Mas ao encetarmos tal actividade somos perturbados por dois elementos da Guarda Nacional Republicana que por certo pensavam que queríamos levar a placa para venda de alumínio no mercado negro. Feitas as apresentações e tiradas as conclusões lá nos despedimos com desejos de boas noites e seguimos para a primeira aldeia do xisto, Barroca. Quão desiludidos nós ficámos ao constatar que o xisto é praticamente inexistente na Barroca. Talvez tenha sofrido muitos ataques do animal misterioso conhecido como Caxisto, uma criatura que aparentemente se alimenta de xisto. Ao não encontrarmos sequer um local para diversão condigna seguimos (por engano) para Dornelas do Zêzere onde nos enviam de volta para a Barroca e finalmente encontramos dois jovens que nos revelam existir uma festa em Bogas do Meio “com DJ e tudo”. Ora nem mais, pensámos nós. Rumo às Bogas do Meio (uma festa a visitar no próximo ano sem dúvida) entramos com espírito folião nas festividades e quando demos por nós estávamos em plena celebração com os Sons do Zêzere ao som da “Chouriça Negra”. Mais tarde, com pão de quartos a acompanhar o vinho tinto e a cerveja, embrenhámo-nos na populaça festiva dançante ao som do vocalista da banda que cantava “Ernesto tira a roupa, tira a roupa Ernesto” de modo a que um local cheio de vitalidade e empenho em mostrar os abdominais fizesse uma sessão de striptease para as senhoras e meninas presentes. Não só cumpriu a tarefa com total sucesso como ainda se vestiu de senhora e se passeou ao som da música. Conhecemos ainda um rapaz trabalhador na madeira emigrado em França chamado Gilberto que nos pagou alguns copos (que é como quem diz que nos chegámos ao balcão e nos apoderámos deles) e chegadas as cinco da manhã viemos dormir para este pinhal. Devo confessar que dormir bastante mal por duas razões, a primeira prendendo-se com o facto de estar a dormir no chão pela primeira vez em vários meses; a segunda por causa do Rui que ronca como um porco mesmo ao meu lado. E assim se passou a primeira noite de viagem. Concerteza um bom prenúncio para o resto da viagem.
Duas da tarde. Almoçamos num parque de merendas perto do parque de campismo de Janeiro de Baixo, depois de já termos estado em Janeiro de Cima, uma bela aldeia com um bonito bairro constituído por cerca de duas dezenas de casas em xisto (o nosso primeiro contacto com xisto). Tivemos também o nosso primeiro baptismo em Janeiro de Cima, numa praia fluvial com excelentes condições, a melhor em minha opinião que encontrámos em toda a viagem. Baptismo esse que o Rui, Manolo e Marquito repetiram na praia de Janeiro de Baixo. Como aldeia do xisto, Janeiro de Baixo é claramente inferior a Janeiro de Cima uma vez que tem muito menos casas de xisto e estão muito mais dispersas pela aldeia. Durante o almoço o Rui escreveu estas linhas no meu bloco de notas que passo a citar aqui:
“Agradeço a Deus por estar a escrever estas linhas uma vez que a Benedita me ia ceifando o mindinho. À parte desse incidente tudo corre pelo melhor: o moral das tropas continua em alta; o vinho continua a jorrar, qual catarata do Niágara; as aldeias do xisto continuam intactas apesar da funesta ameaça do Caxisto continuar a pairar por estas bordas.”
Seguimos viagem em direcção a Pampilhosa da Serra, onde paramos para pedir indicações para Álvaro, a próxima aldeia no trajecto. Um rapaz algo amaricado lá nos indica o rumo certo a tomar e cerca de meia hora depois (e umas 100 curvas tambem) chegamos a Aldeia de Álvaro, uma localidade situada à beira do rio Zêzere com a praia fluvial como principal atracção. E digo praia fluvial porque mais uma vez, xisto nem vê-lo. Baptismo concluído e pausa para refresco e pão de quartos seguimos viagem para Fajão. Situada às portas da serra do Açor, Fajão foi finalmente um regalo para os olhos no que diz respeito a aldeia de xisto. As casas completamente forradas desta pedra, nem os telhados escapavam, e as ruas estreitas igualmente de xisto preto. Uma localidade que serviu de base para a segunda noite, com direito a refeição confeccionada por profissionais no Juiz de Fajão (o único restaurante da aldeia) para acompanhar a vitória do glorioso por 3-0 sobre o Austria Vienna. Após o jantar fomos ao único café/mini-mercado da aldeia para refrescar as gargantas e conversar com a proprietária sobre a localidade. Descobrimos que para além de café e mini-mercado acumulava também as funções de taxista da aldeia (um clássico exemplo de monopólio capitalista) e finalmente chegada a meia noite somos gentilmente convidados a sair do estabelecimento e procurar lugar para passar a noite. Alguns minutos depois come-se um pão de quartos para aconchegar o estômago e seguimos para o miradouro da aldeia, localizador já fora do centro da aldeia (onde não eram admitidos carros, nem para cargas como nos confessou, queixosa a proprietária do mini-mercado). Um coreto portanto seria onde passaríamos esta segunda noite, que seria interrompida alguns minutos antes das duas da manhã por um grupo de jovens dos 12 aos 25 anos oriundos da capital que passavam férias numa localidade ali perto chamada Casal Novo, e procuravam o coreto ocupado por nós para descansar por umas horas. Conversámos um pouco com eles e oferecemos vinho tinto traçado com 7up (dizendo que era groselha) e algumas bolachas que a benjamim do grupo devorou num ápice. E foi assim a 2ª noite da viagem, sem sobressaltos de maior, apenas com mais picadas de insectos para chatear.
Nove da manhã. Acordo com o sol a bater-me na cara e com insectos a voarem irritantemente perto da minha cabeça. Agora me lembro, já não estou na minha cama no Fundão, mas sim num pinhal perto de Bogas do Meio. Mas Bogas do Meio nem sequer é aldeia do xisto, porque viemos até cá? Partimos na noite anterior do Fundão em direcção à Barroca para um primeiro checkpoint mas ao chegarmos a Lavacolhos encontrámos uma festa popular em honra de um qualquer orago. Pois bem decidimos parar para refrescar as gargantas secas com vinho. O Manolo diz que não gosta de vinho, vai ter que se habituar e nada melhor que um branco traçadinho para começar. Eu e o Marquito como somos os mais velhos damos o exemplo e bebericamos um calicezinho de tinto como os “Antigos”. Dirigimo-nos então ao recinto das festividades onde nos deparamos com uma velha glória ao microfone, nada menos que Leonel Nunes, o homem do cacete. Após termos sidos satisfeitos do pedido de cantar os parabéns ao Bio seguimos viagem para Silvares onde cumprimos nova paragem no renovado Mundo’s. Mais umas quantas taças de tinto depois estamos a seguir para a Barroca onde iniciamos uma tradição de viagem: tirar foto junto da placa indicativa da localidade. Mas ao encetarmos tal actividade somos perturbados por dois elementos da Guarda Nacional Republicana que por certo pensavam que queríamos levar a placa para venda de alumínio no mercado negro. Feitas as apresentações e tiradas as conclusões lá nos despedimos com desejos de boas noites e seguimos para a primeira aldeia do xisto, Barroca. Quão desiludidos nós ficámos ao constatar que o xisto é praticamente inexistente na Barroca. Talvez tenha sofrido muitos ataques do animal misterioso conhecido como Caxisto, uma criatura que aparentemente se alimenta de xisto. Ao não encontrarmos sequer um local para diversão condigna seguimos (por engano) para Dornelas do Zêzere onde nos enviam de volta para a Barroca e finalmente encontramos dois jovens que nos revelam existir uma festa em Bogas do Meio “com DJ e tudo”. Ora nem mais, pensámos nós. Rumo às Bogas do Meio (uma festa a visitar no próximo ano sem dúvida) entramos com espírito folião nas festividades e quando demos por nós estávamos em plena celebração com os Sons do Zêzere ao som da “Chouriça Negra”. Mais tarde, com pão de quartos a acompanhar o vinho tinto e a cerveja, embrenhámo-nos na populaça festiva dançante ao som do vocalista da banda que cantava “Ernesto tira a roupa, tira a roupa Ernesto” de modo a que um local cheio de vitalidade e empenho em mostrar os abdominais fizesse uma sessão de striptease para as senhoras e meninas presentes. Não só cumpriu a tarefa com total sucesso como ainda se vestiu de senhora e se passeou ao som da música. Conhecemos ainda um rapaz trabalhador na madeira emigrado em França chamado Gilberto que nos pagou alguns copos (que é como quem diz que nos chegámos ao balcão e nos apoderámos deles) e chegadas as cinco da manhã viemos dormir para este pinhal. Devo confessar que dormir bastante mal por duas razões, a primeira prendendo-se com o facto de estar a dormir no chão pela primeira vez em vários meses; a segunda por causa do Rui que ronca como um porco mesmo ao meu lado. E assim se passou a primeira noite de viagem. Concerteza um bom prenúncio para o resto da viagem.
Duas da tarde. Almoçamos num parque de merendas perto do parque de campismo de Janeiro de Baixo, depois de já termos estado em Janeiro de Cima, uma bela aldeia com um bonito bairro constituído por cerca de duas dezenas de casas em xisto (o nosso primeiro contacto com xisto). Tivemos também o nosso primeiro baptismo em Janeiro de Cima, numa praia fluvial com excelentes condições, a melhor em minha opinião que encontrámos em toda a viagem. Baptismo esse que o Rui, Manolo e Marquito repetiram na praia de Janeiro de Baixo. Como aldeia do xisto, Janeiro de Baixo é claramente inferior a Janeiro de Cima uma vez que tem muito menos casas de xisto e estão muito mais dispersas pela aldeia. Durante o almoço o Rui escreveu estas linhas no meu bloco de notas que passo a citar aqui:
“Agradeço a Deus por estar a escrever estas linhas uma vez que a Benedita me ia ceifando o mindinho. À parte desse incidente tudo corre pelo melhor: o moral das tropas continua em alta; o vinho continua a jorrar, qual catarata do Niágara; as aldeias do xisto continuam intactas apesar da funesta ameaça do Caxisto continuar a pairar por estas bordas.”
Seguimos viagem em direcção a Pampilhosa da Serra, onde paramos para pedir indicações para Álvaro, a próxima aldeia no trajecto. Um rapaz algo amaricado lá nos indica o rumo certo a tomar e cerca de meia hora depois (e umas 100 curvas tambem) chegamos a Aldeia de Álvaro, uma localidade situada à beira do rio Zêzere com a praia fluvial como principal atracção. E digo praia fluvial porque mais uma vez, xisto nem vê-lo. Baptismo concluído e pausa para refresco e pão de quartos seguimos viagem para Fajão. Situada às portas da serra do Açor, Fajão foi finalmente um regalo para os olhos no que diz respeito a aldeia de xisto. As casas completamente forradas desta pedra, nem os telhados escapavam, e as ruas estreitas igualmente de xisto preto. Uma localidade que serviu de base para a segunda noite, com direito a refeição confeccionada por profissionais no Juiz de Fajão (o único restaurante da aldeia) para acompanhar a vitória do glorioso por 3-0 sobre o Austria Vienna. Após o jantar fomos ao único café/mini-mercado da aldeia para refrescar as gargantas e conversar com a proprietária sobre a localidade. Descobrimos que para além de café e mini-mercado acumulava também as funções de taxista da aldeia (um clássico exemplo de monopólio capitalista) e finalmente chegada a meia noite somos gentilmente convidados a sair do estabelecimento e procurar lugar para passar a noite. Alguns minutos depois come-se um pão de quartos para aconchegar o estômago e seguimos para o miradouro da aldeia, localizador já fora do centro da aldeia (onde não eram admitidos carros, nem para cargas como nos confessou, queixosa a proprietária do mini-mercado). Um coreto portanto seria onde passaríamos esta segunda noite, que seria interrompida alguns minutos antes das duas da manhã por um grupo de jovens dos 12 aos 25 anos oriundos da capital que passavam férias numa localidade ali perto chamada Casal Novo, e procuravam o coreto ocupado por nós para descansar por umas horas. Conversámos um pouco com eles e oferecemos vinho tinto traçado com 7up (dizendo que era groselha) e algumas bolachas que a benjamim do grupo devorou num ápice. E foi assim a 2ª noite da viagem, sem sobressaltos de maior, apenas com mais picadas de insectos para chatear.
Terras do Xisto 2006 - Prólogo (Dia 0)
No rescaldo da digressão nanikiana pelas terras do xisto, vai ser publicado aqui o diário de viagem mantido por mim e pelo Rui (como não tenho cá quase nada dele vou esperar que ele escreva aqui). Sem mais demoras portanto, o prólogo para a viagem.
21 de Agosto de 2006 - Dia 0
E eis que dos escombros da (megalómana para uns, realizável para outros) Operação Marrocos nasce esta viagem pelas terras do xisto. Depois de muitas semanas de planeamento chega o dia D. Um dia que ficará guardado nas nossas memórias, por boas ou más razões o tempo decidirá.
A missão: completar com sucesso a visita às 23 aldeias do xisto situadas bem no centro de Portugal, vivendo como há 50 anos atrás (obviamente dentro dos possíveis), razão pela qual chegou a ser apelidada de rota dos "Antigos".
O transporte: um Suzuki Ignis 1.3 2WD com 5 anos e 62 mil quilómetros, companheiro inseparável de viagem.
A bagagem: alguma roupa; marmita composta de pão, queijo, chouriço e presunto; sacos cama para dormir na rua.
A equipa: a equipa que realizará esta difícil tarefa será composta por cinco elementos, tal como os dedos de uma mão firme ou disfuncional. Marquito, o geógrafo. Cai sobre ele a responsabilidade da idade (o ancião do grupo) e também a orientação nas terras inexploradas do xisto. Qualquer desorientação do grupo ou atrasos no programa serão da responsabilidade deste senhor. Rui, o comunicador. Como é lógico, ao visitarmos alguns dos locais mais recônditos do planeta faz sentido levarmos um perito na comunicação, pois certamente a barreira da linguagem linguística que nos separa destes povos não será facilmente ultrapassável. Manolo e Bio, os desportistas. Homens atléticos, capazes de desafiar qualquer barreira natural ou humana, serã eles os principais carregadores de piano do grupo. Finalmente chegamos a mim, cujas qualificações recaem em zonas longe das que necessitaremos. Como se pensará, e correctamente, não faz muito sentido usar "skills" informáticas no meio do mato onde vivem povos que enchem colchões com palha. Assim sendo as minhas funções cairão sobretudo no campo da fotoreportagem dos acontecimentos.
As mãos tremem-me e o suor escorre pela testa. Sei que durante a próxima semana a civilização tal como a conheço será uma miragem e terei que me adaptar à vida selvagem tal como um ponta de lança brasileiro se adapta ao futebol português. Certamente haverá muitas histórias para contar nos próximos dias (e noites), que ficarão registados neste bloco de notas, histórias sobre novas pessoas, lugares e culturas perdidas no centro de Portugal.
A noite começa a cair. A mala está quase pronta. A hora da partida aproxima-se...
21 de Agosto de 2006 - Dia 0
E eis que dos escombros da (megalómana para uns, realizável para outros) Operação Marrocos nasce esta viagem pelas terras do xisto. Depois de muitas semanas de planeamento chega o dia D. Um dia que ficará guardado nas nossas memórias, por boas ou más razões o tempo decidirá.
A missão: completar com sucesso a visita às 23 aldeias do xisto situadas bem no centro de Portugal, vivendo como há 50 anos atrás (obviamente dentro dos possíveis), razão pela qual chegou a ser apelidada de rota dos "Antigos".
O transporte: um Suzuki Ignis 1.3 2WD com 5 anos e 62 mil quilómetros, companheiro inseparável de viagem.
A bagagem: alguma roupa; marmita composta de pão, queijo, chouriço e presunto; sacos cama para dormir na rua.
A equipa: a equipa que realizará esta difícil tarefa será composta por cinco elementos, tal como os dedos de uma mão firme ou disfuncional. Marquito, o geógrafo. Cai sobre ele a responsabilidade da idade (o ancião do grupo) e também a orientação nas terras inexploradas do xisto. Qualquer desorientação do grupo ou atrasos no programa serão da responsabilidade deste senhor. Rui, o comunicador. Como é lógico, ao visitarmos alguns dos locais mais recônditos do planeta faz sentido levarmos um perito na comunicação, pois certamente a barreira da linguagem linguística que nos separa destes povos não será facilmente ultrapassável. Manolo e Bio, os desportistas. Homens atléticos, capazes de desafiar qualquer barreira natural ou humana, serã eles os principais carregadores de piano do grupo. Finalmente chegamos a mim, cujas qualificações recaem em zonas longe das que necessitaremos. Como se pensará, e correctamente, não faz muito sentido usar "skills" informáticas no meio do mato onde vivem povos que enchem colchões com palha. Assim sendo as minhas funções cairão sobretudo no campo da fotoreportagem dos acontecimentos.
As mãos tremem-me e o suor escorre pela testa. Sei que durante a próxima semana a civilização tal como a conheço será uma miragem e terei que me adaptar à vida selvagem tal como um ponta de lança brasileiro se adapta ao futebol português. Certamente haverá muitas histórias para contar nos próximos dias (e noites), que ficarão registados neste bloco de notas, histórias sobre novas pessoas, lugares e culturas perdidas no centro de Portugal.
A noite começa a cair. A mala está quase pronta. A hora da partida aproxima-se...
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